Não importa... (para Rebecca)


"É melhor serem dois do que um".
Eclesiastes 4.9


Não importa o quanto eu viva...
Todo tempo do mundo continuará parecendo muito pouco
Mas todo pouco sempre será como muito ao teu lado.

De nada adianta conhecer milhões de pessoas...
Se em nenhuma delas eu te encontrar
E, se em te encontrando, eu mesmo não me encontrar.

Não importa o quanto eu tenha, se contigo eu não tiver.
E não importa o que eu sinta, se contigo eu não sentir.
De nada vale sonhar, se em meus sonhos você não estiver.
Pois, sem você, os mais lindos planos serão apenas planos; nunca sonhos.

Não importa para onde soprem os ventos...
Se eles não soprarem em tua direção.
Não importa a previsão do tempo...
Porque todo tempo, mesmo nublado,
Contigo será bom.

Não importa o quanto eu me esforce...
Serão sempre simples as mais eruditas palavras
E escassos demais os meus mais nobres gestos.
Inodoro será o mais doce perfume de toda rosa já exalado
E jamais terá cor o mais belo jardim já avistado

Perto da imensidão do carinho
Ante a vastidão do respeito
Frente ao infinito amor
Que eu tenho por você.
:: O maior resgate ::



Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?
Romanos 7.24

"Porque o mundo passa, bem como a sua concupiscência, mas o que faz a vontade do Senhor permanece para sempre."
Tiago 4.14

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.”
João 11.25

“Eu enxugarei de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor.”
Apocalipse 21:4

Trinta e três soterrados, 70 dias de confinamento, 700 metros de profundidade, 22 horas de resgate. Homens salvando homens. Homens trazendo alegria a homens.

Sem dúvida, uma vitória da humanidade. Um resgate engenhoso, sem precedentes na história. Um salvamento digno de gerar em nós um dos mais nobres sentimentos humanos: a compaixão.
Contudo, um resgate temporário. Um resgate que se limita a adiar a morte que bateu à porta daqueles mineiros. Um resgate que não soluciona – apenas posterga – o problema da humanidade. Um resgate que tem o simples efeito de agendar outro dia para as lágrimas de dor e tristeza caírem. Um resgate que coloca um sorriso sincero, mas com prazo de validade no rosto. Porque o “pra sempre” do homem sempre acaba.
Um dia, todos os 33 resgatados, que hoje estão felizes e sorridentes ao lado de suas famílias, irão morrer...assim como eu e você.
E, antes que você lance sua pedra contra mim, isso não é ser pessimista. Na verdade, é ser realista...pois a nossa realidade que é péssima.
A morte não tem hora pra chegar, não importa o quão saudável ou seguro você esteja. Sua hora é incerta, mas sua vinda certa. E essa certeza da morte é capaz de causar em nós uma sensação de vazio inesgotável. Estamos presos num poço profundo, muito mais terrível do que aquele que assolou os mineiros. Um buraco negro assombra nossa alma dia e noite, ameaçando nossa existência.
É por isso que a maioria de nós prefere viver escondendo essa certeza, como se ela não existisse, como se representasse apenas uma ideia vaga e abstrata que só poderá nos alcançar quando já estivermos bem velhinhos. Já reparou que sempre encaramos nossa morte como algo que só acontecerá no futuro, nunca no presente?
Vivemos como se não fossemos morrer nunca... como se a morte só chegasse para os outros. Vivemos achando que somos eternos.
Amamos a vida, amamos viver... Viagens, família, amigos, saúde, grandes amores, reconhecimento profissional. Porém, tudo que amamos, tudo aquilo a que nos dedicamos de corpo e alma está apodrecendo lentamente, num cenário em decomposição.
Ao nos deparamos com esse quadro, somos esmagados pelo caráter breve e finito da vida. Nos desesperamos ao perceber que a vida que tanto amamos é irreal. Todos temos, dentro de nós, uma ansiedade existencial latente, pois nossa alma clama por algo que não é dessa vida.
Sim, todos nós temos um vazio. Todos sentimos um espaço não preenchido em nosso coração. Porém, a maioria de nós prefere fingir que esse vazio não existe. Prefere passar a vida inteira ignorando uma carência universal que toda pessoa tem, mas que poucas assumem sentir.
Hoje, as pessoas se acostumaram a encher-se do vazio do mundo. Utilizam como remédio para a brevidade da vida fórmulas igualmente breves e efêmeras. Vivem tentando preencher esse vazio com coisas passageiras, como se fosse possível encaixar um objeto quadrado num espaço circular. Não há como preencher, porque são naturalmente incompatíveis entre si. A efemeridade nunca vai preencher o anseio de eternidade do homem.
O que mais vejo são pessoas que precisam matar a sede, mas bebem refrigerante. Precisam de compromisso, mas preferem viver aventuras passageiras. Precisam de amor, e só procuram prazer. Precisam de um caminho, mas andam sem direção. Precisam de verdade, mas vivem na mentira. Precisam de vida, e escolhem a morte. Precisam de Deus, e se declaram autossuficientes.
Miseráveis homens que somos! Quem nos libertará do corpo sujeito a esta morte?
Jesus. Deus resgatando homens, trazendo paz e alegria eternas a homens perecíveis, mortais e frágeis, como eu e você.
Um resgate eterno. Um resgate que elimina a morte e resolve de uma vez por todas o problema da humanidade. Um resgate que enxuga definitivamente toda lágrima, cura toda dor, consola todo pranto. Um resgate que coloca para sempre um sorriso sincero no rosto daqueles que creem no Seu nome e vivem como Ele viveu. Porque o que Deus planeja dura para sempre.
Uma humanidade de soterrados, a eternidade de confinamento, uma profundidade sem fim, 3 dias de resgate. Deus salvando homens. Deus trazendo a verdadeira alegria a homens. Ressurreição. Vida eterna. 

Por Fernando Khoury
:: Pensei no meu filho e criei forças ::



“E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol.”
Lucas 23.44



Hoje foi um dia incomum. Pelo menos para quem mora no Rio de Janeiro, hoje foi mesmo um dia atípico. Durante todo o dia, não conseguir ver sequer um raio de sol atravessando as nuvens, nenhum passarinho cantando, nenhum sinal de vida brotando da natureza, nenhuma cor alegre refletindo no horizonte… É verdade, hoje foi um dia um pouco sombrio; um dia em que o sol não apareceu. Talvez, por isso, um dia propício à reflexão.

Foi num clima assim — um pouco frio e bastante cinzento — que, de tarde, ouvindo um forte e constante barulho de chuva do lado de fora da janela, resolvi acessar a internet para ler algumas notícias. Abri o site, mas não consegui ler mais do que uma notícia, pois meus olhos, como um objeto de metal atraído irresistivelmente pela força magnética de um imã, pararam fixamente na primeira manchete do jornal on-line, que dizia:
“PENSEI NO MEU FILHO E CRIEI FORÇAS
Mãe arrastada pela enxurrada em SP conta como escapou da morte”.
A reportagem tratava da gigantesca enchente que assolou a cidade de São José do Rio Preto, em São Paulo, no ano de 2010, transformando uma simples rua num verdadeiro rio caudaloso, que arrastou consigo várias pessoas que por lá transitavam, quase levando-as à morte. Uma dessas pessoas era Gisele, mãe viúva de uma criança de 6 anos.

Gisele foi arrastada violentamente pela enxurrada, e chegou a ficar desaparecida por mais de dois minutos, pois estava presa embaixo de um carro atolado na imensidão de água. Após muito esforço, e quase tendo sucumbido à morte, Gisele conseguiu erguer a mão, ainda com o rosto sufocado e submerso, e, assim, chamar a atenção de alguns voluntários para salvá-la.

Depois de resgatada, ao ser questionada de onde teria vindo tamanha força interna para resistir, a mãe em prantos desabafou:

Pensei no meu filho, porque ele perdeu o pai faz dois anos, e pensei que não podia deixá-lo só, tinha que lutar pelo menos por ele. Foi quando eu criei forças e consegui erguer a mão para alguém me ver”.

E foi justamente essa declaração que me fez refletir.

Fico pensando, comigo mesmo, se não foi exatamente esse um dos sentimentos — ou talvez o principal sentimento — que encorajou e motivou Jesus a vencer as tentações, a humilhação, o sofrimento, o medo e a dor da terrível morte de cruz que se aproximava.

Consigo imaginar Jesus — no ápice de seu sacrifício cósmico, quando, aflito, clamou em tom contundente: “Pai, afasta de mim esse cálice, mas seja feita a sua vontade” — sendo movido internamente pelo mesmo sentimento que moveu aquela mãe desesperada. Consigo visualizar o coração de Jesus pulsando com o amor de Deus Pai pelo meu nome, batendo pelo seu nome, e dizendo:
PENSEI NOS MEUS FILHOS E CRIEI FORÇAS… Pensei nos meus filhos, porque eles se perderam do Pai faz muito tempo, e pensei que não podia deixá-los sozinhos. Eu tinha que lutar por cada um eles. Foi quando eu criei forças e consegui erguer a minha voz, para que o Pai fizesse a sua vontade… Pensei no amor que sinto pelos filhos que o Pai me confiou, para que eu criasse forças de morrer no lugar de cada um deles, para sofrer em meu próprio corpo o castigo que lhes traz a paz eterna e, assim, restabelecer o contato e a intimidade que, um dia, eles tiveram com o Pai ”.
Assim como aquela mãe viúva, o que motivou Jesus a prosseguir em seu objetivo foi a vida do filho e o amor incondicional por ele. Contudo, há uma grande diferença entre o resultado que esse sentimento de amor produziu em relação à mãe e em relação a Jesus.

De fato, para a mãe, o amor ao filho gerou forças para sobreviver e escapar da morte. Para Jesus, o amor ao filho gerou forças para morrer e vencer a morte. A mãe “escolheu viver” porque o filho havia perdido o pai; porque era humanamente impossível trazer um pai morto de volta ao seu filho. Jesus escolheu morrer porque os filhos haviam se perdido de seu Pai; porque era divinamente possível e desejável trazer os filhos mortos em seus delitos e pecados de volta à vida de intimidade com seu Pai.

Sim, eu e você estávamos espiritualmente mortos, porque, um dia, abandonamos o Pai. E, por causa do nosso pecado, perdemos a plena comunhão que tínhamos com Deus. Equivocadamente, muitas pessoas acreditam não apresentar pecado ou, muitas vezes, nem sabem direito o que significa pecar…mas pecado é apenas isso: um estado interno de rebeldia e de separação do cuidado e do amor de Deus, que todo ser humano voluntariamente apresenta em seu coração. Pecado não é simplesmente um ato, mas uma manifestação externa de uma prévia disposição interna.

Com um amor muito mais profundo e um grito muito mais sofrido do que o daquela mãe, Jesus escolheu nos resgatar ao amor de Deus. Como? Através de sua morte e ressurreição. Jesus veio restaurar justamente esse elo perdido com o Pai. Ele pagou o preço do nosso pecado — a morte — em nosso lugar. O justo pelos injustos. O santo pelos pecadores. Jesus morreu a nossa morte para que nós pudéssemos viver a sua vida.

Foi há dois mil anos atrás, num dia como hoje — em que o sol se escureceu, deixando o clima cinzento, frio, sombrio e sem cor — que Jesus morreu. Morreu por mim, morreu por você, para que um dia o sol voltasse a brilhar, e, assim, nós pudéssemos voltar a sentir o calor, a alegria, o esplendor e a expressão viva do amor do Pai. Esse dia se chama hoje. Por isso, pare de perder tempo. Pare de abandonar o Pai. Pare de dar as costas para aquele que sempre pensou, e continua pensando, em você.
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“Disse Jesus: amem uns aos outros como eu amo vocês. Ninguém tem amor maior que este: de dar alguém a sua própria vida pelos amigos.” – João 15.12

“Se vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está no céu, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” – Mateus 7.11

“Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram!” – Mateus 23.37

“E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol.” – Lucas 23.44

:: Um passo atrás ::

"Refleti em meus caminhos e voltei os meus passos para os teus testemunhos. Eu me apressarei e não hesitarei em obedecer aos teus mandamentos."
Salmos 119.59

"Se meus passos desviaram-se do caminho, se o meu coração foi conduzido por meus olhos, ou se minhas mãos foram contaminadas, que outros comam o que semeei, e que as minhas plantações sejam arrancadas pelas raízes".
Jó 31.7

“Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus."
 Filipenses 3.13

“Disse-lhes Jesus: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”
 Mateus 11:28-30

Quando se está à beira de um precipício, dar um passo atrás, na verdade, é dar um passo à frente.

Sim, existem momentos em que é preciso voltar atrás para poder avançar. É preciso tirar os olhos fitos no futuro e fixá-los por um instante no passado, para superar traumas e problemas mal resolvidos que lá ficaram aprisionados juntos com nossas almas.

Dar um passo atrás, às vezes, significa seguir adiante...progredir.

Chorar a perda para poder sorrir.
Perder para aprender a valorizar.
Sentir-se só para sentir saudade.

Assumir a derrota para saber vencer.
Fechar algumas portas para abrir novos horizontes.
Aceitar o medo para alcançar coragem.

Admitir o erro para aprender com ele.
Lembrar para poder esquecer. E esquecer para recomeçar. Perdoar.
Reconhecer a própria fraqueza para se humilhar. E se humilhar para ser exaltado. Pedir perdão.

Desvelar as cicatrizes para conseguir tratá-las.
Derramar lágrimas para lavar a alma.
Libertar-se do passado para viver o presente.

Esvaziar o interior de tudo que é efêmero para encher o coração do que dura para sempre.

Morrer para o mundo, a fim de nascer de novo para Aquele que faz tudo novo.

Asfixiar o peso que sufoca a alma e, assim, respirar o Amor que dissipa toda culpa.

Diminuir o meu eu para que em mim, em meu inóspito jardim, volte a crescer Deus...volte a brotar a paz que um dia eu perdi: a paz que excede todo o entendimento.

Começar do zero, como se nada tivesse acontecido. Como se não houvesse marcas, lágrimas, decepções. Como se nunca tivéssemos sentido dor ou frustração. Como se nunca tivéssemos sentido culpa. Como se não houvesse rugas em nossa face, mas apenas a suavidade e a leveza da pele intocada e inocente de um bebê.

Renascer, recrescer. Renovar, revigorar, reconciliar.

Caminhar, passo a passo, cair. Enxugar as lágrimas, recomeçar, continuar caminhando. Sem parar, sempre em frente...pois recomeçar é dar um passo à frente. Mas dar um passo à frente, às vezes, é dar um passo atrás.

Por isso, pare de caminhar por um instante. Faça uma breve pausa e reflita se você precisa dar um passo atrás. Porque para existir recomeço, não pode existir passado ferido.


Por Fernando Khoury

:: EU SOU X Eu sei ::

Queridos irmãos. Amada igreja. Pedi permissão ao pastor para contar para vocês um testemunho maravilhoso que aconteceu comigo: há um mês atrás, numa segunda-feira aparentemente normal, eu acordei cedo, super cansado. Peguei meu carro zero, que havia acabado de comprar, e, no caminho pro trabalho, perdi o freio e acabei dando de cara com um poste. Amassou tudo. Perda total do automóvel. Perda total da coluna. Fui encaminhado imediatamente para o hospital, e até hoje preciso dessa cadeira de rodas para me locomover. Nada de extraordinário aconteceu. Nenhuma cura milagrosa ocorreu. O seguro até hoje não me pagou. Então, meus irmãos, eu estou aqui para agradecer a Deus por isso tudo. Obrigado, Senhor, por um mês tão ruim e cheio de problemas, e por que nenhum anjo me livrou desse mal.

Foi ontem, no culto de quinta-feira, que ouvi esse estranho testemunho dado por uma pessoa de aparência bastante simples. Nem preciso dizer que nem um irmão aplaudiu. Nem um irmão ficou emocionado... nem um irmão chorou. Muitos até ficaram com pena do sujeito, mas foi só. Na realidade, todos acharam uma grande loucura aquele testemunho.

O que ninguém percebeu é que o testemunho daquele irmão era o tipo de testemunho mais verdadeiro e sincero que pode existir. Isto porque é quando as coisas vão de mal a pior – e nada dá certo – que realmente podemos medir nossa gratidão a Deus. Esse é o melhor termômetro.

Você tem um coração grato a Deus? Você agradece a Deus por tudo, independente do que aconteça? Cuidado, muito cuidado ao responder essa pergunta. Porque a verdade é que nós, muitas vezes, só nutrimos um profundo senso de agradecimento a Deus quando as coisas acontecem do jeito que esperamos. É triste, mas é verdade.

E é justamente aí que está o problema. Sabe por quê? Porque quem só consegue agradecer a Deus quando as coisas acontecem da forma esperada não tem esperança em Deus. Pelo contrário: quem age assim tem esperança em si mesmo, nos seus próprios planos e nos seus próprios sonhos.

De fato, eu só tenho condições de medir minha real gratidão a Deus quando as coisas acontecem de modo diferente do que penso, espero ou programo. Apenas nessa situação é que poderei dizer, com cem por cento de certeza, se sou realmente grato a Deus por todas as coisas que me acontecem. Só aí é que poderei dizer que realmente confio na vontade de Deus como sendo a melhor, mesmo que seja contra a minha vontade.

Aprender a confiar em Deus pode parecer fácil. Só parece. Na verdade, é um exercício árduo e diário de confrontação com nosso próprio "eu". Quando dizemos com nossas bocas – ou com nossos corações – “Senhor, coloco minha vida em suas mãos”, Ele cuida de nós, não tem jeito. Mesmo que as circunstâncias O acusem dizendo que Ele não está cuidando, ou mesmo que nossos olhos O acusem ao ver que as coisas não estão caminhando como planejamos ou da forma que julgamos ser boa e adequada.

O grande problema é que temos a tendência de pensar que, se Deus cuida de nós, nenhum mal vai nos acontecer. É por isso que tem muito cristão que não compreende o tipo de testemunho dado por esse irmão. É por isso, também, que tem muito cristão dizendo por aí que “crente que é crente não fica deprimido, não contrai doença...”. Que grande besteira. Que evangelho medíocre esse que tem sido pregado.

Experimente falar isso para uma mãe fiel a Deus que ora dia e noite pela cura de seu filho e, mesmo assim, tem de vê-lo morrer de câncer. Ou que tal dizer isso a um servo do Deus altíssimo que, por circunstâncias tristes e aflitivas da vida, entra em profunda depressão?

O que esses “profetas” do século XXI não sabem é que Deus não nos poupa DO sofrer; Ele nos poupa NO sofrer. É verdade. Deus não nos exclui do sofrimento. Ele prefere se incluir no sofrimento junto conosco, ao nosso lado, porque é no vale da sombra da morte que Deus nos faz crescer e nos ensina a confiar em seu caráter. Só quando experimentamos o consolo de Deus em meio ao vale da dor é que podemos dizer: "não temerei mal algum, pois o Senhor está comigo" (Salmo 23).

Sim, a confiança genuína em Deus é um exercício árduo e diário, porque envolve dor e renúncia. Já imaginou se Deus nos desse um cronograma completo e um mapa detalhado, mostrando com antecedência tudo que Ele faria em nossas vidas? Já imaginou ter em suas mãos um GPS indicando o tempo e o modo como as coisas aconteceriam? Nós jamais iríamos ter confiança genuína nEle. Se Deus agisse assim, nós acabaríamos por confiar muito mais no plano detalhado ou no cronograma completo do que propriamente nEle. 

Confiaríamos nos acontecimentos vindouros e viveríamos o presente em função do futuro, pois saberíamos de antemão que, numa determinada data, algo iria acontecer. Isso não é viver. Isso não é confiar. Isso não é esperar. Enfim, isso não é crer.

Que se esclareça de uma vez por todas: não existe confiança no campo da visão. São conceitos contraditórios entre si, pois quem vê não confia. Quem vê, sabe. Quem vê não espera; quem vê tem conhecimento que algo vai acontecer. É bem verdade que ver um plano detalhado de Deus para minha vida pode até me proporcionar descanso, mas não porque tenho confiança nAquele que é, e sim porque EU SEI... porque EU tenho conhecimento, informações e notícias do que vai acontecer.

E sabe de uma coisa? Deus não costuma dar informações. E quando dá, não as dá com muitos detalhes. Deus não trabalha com notícias; Deus trabalha com promessas. Muitas vezes, Deus prefere dizer que vai fazer sem dizer o que ou como vai fazer. Deus prefere as promessas, porque promessas exigem de nós confiança em seu caráter, esperança na sua provisão e crença em seu cuidado.

Você está descansando no EU SOU, ou está descansando no EU SEI? O que tem te proporcionado descanso na alma? Aquilo que você tem visto ou Aquele em quem você tem crido?

Se é o que você vê que te faz acreditar e confiar em Deus, sinto de decepcionar: você não acredita nem confia nEle, mas na sua própria visão. A perspectiva é a inversa. A fé que eu tenho em Deus é que deve me fazer ver as coisas acontecendo - e não o contrário. Se eu vejo para poder crer, eu não creio. Agora, se eu creio eu já posso ver as coisas acontecendo pelos olhos da fé.

Nós temos que aprender a crer em Deus e a nutrir um coração grato a Ele independente das circunstâncias. Não importa se eu vejo ou não as coisas acontecendo. Se as coisas acontecem, eu sou grato a Deus. Se as coisas não acontecem, eu também sou grato a Deus. Quando confiamos, entregamos. Entregamos nossas preferências, nossos desejos, nossos sonhos. Abrimos mão de que as coisas aconteçam exatamente do jeito que desejamos.

Por isso, não nos surpreendamos mais com tal tipo de testemunho. Deus não depende de acontecimentos extraordinários, ou de milagres, ou seja lá do que for para existir e se fazer presente. Deus está na maior de todas as curas, e também está na maior de todas as perdas. Deus não precisa de circunstâncias favoráveis para mostrar que está ao nosso lado, cuidando de nós. Lembre-se: Deus não nos dá o mapa. Ele fala apenas o essencial para que continuemos caminhando. E em sua voz nós cremos. E pela nossa crença, nós vemos.

por Fernando Khoury

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"Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU".
João 8.58

"Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram".
João 20:29

:: Juca Kfouri: o ateu à toa! ::


“O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações”
Salmo10.4

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Blaise Pascal

"Um pouco de ciência aliena os homens de Deus, mas muita ciência os leva de volta a Ele"
Louis Pasteur


Após ouvir as últimas pérolas do comentarista esportivo Juca Kfouri alfinetando, pela milionésima vez, sua fé em Jesus Cristo, Kaká resolveu se pronunciar.

A indignação de Kaká tem razão de ser. Não é a primeira vez que o jornalista perde tempo precioso na mídia para atacar a fé que jogadores de futebol depositam em Jesus. Em um dos programas do Jô Soares, inclusive, ambos se divertem às custas da fé dos atletas e do seu agradecimento a Jesus Cristo.

São várias as acusações.Os jogadores colocam Jesus Cristo onde ele não tem que estar”. “Existem lugares apropriados e definidos para se manifestar a crença em Jesus”. “Tá ficando chato toda hora ver jogador levantando a mão pro céu agradecendo a Jesus pelo belo gol ou pela brilhante defesa”. “Essa manifestação dos jogadores é uma forma de tenta enfiar a fé cristã pela minha goela abaixo”. “Agradecer a Jesus durante a partida de futebol é merchandising religioso”.

O que é mais paradoxal no discurso de Juca Kfouri é a energia que ele despende para criticar e censurar algo que ele mesmo acredita não existir. É intrigante como a fé de Kaká incomoda tanto a razão de Juca Kfouri.

Há tanta mazela no mundo em que vivemos para ser denunciada, existe tanta atitude repugnante e suja nos bastidores e nas emissoras de TV para ser delatada, há tantos vícios, orgias e outras promiscuidades no mundo do futebol para serem criticadas, que a escolha da fé em Jesus Cristo para ser alvo de ataque na mídia chega a ser grotesca. É por essas e outras que gosto de dizer que Juca Kfouri, antes de ser um ateu, é um à toa.

Sim, Juca Kfouri é um ateu à toa. À toa não apenas no sentido de alguém que não tem ocupação ou não tem o que fazer, mas principalmente no sentido de alguém que não tem razão. Juca Kfouri condena a fé de Kaká à toa – sem qualquer razão ou justificativa – e à toa – porque sua postura demonstra que não deve ter nada mais importante para fazer ou pensar.

Isso mesmo: Juca usa sua razão para embasar seu ateísmo, e usa seu ateísmo para acusar sem razão. É um arrogante intelectual que confunde laicidade de Estado com intolerância à fé, desconhecendo até mesmo que o direito que hoje ele possui de não acreditar ou professar fé alguma tem lastro na própria liberdade de convicção religiosa, conquistada pelo sanque de mártires do passado. Assim, se ele condena a liberdade de manifestação de crença, ele está condenando a livre manifestação do seu próprio ateísmo.

E não é só. Vejam que contrassenso: Juca critica e debocha de Kaká por manifestar sua fé através do seu trabalho (futebol), enquanto o próprio Juca faz uso do seu trabalho (jornalismo) para manifestar sua falta de fé e criticar a manifestação das demais. Juca acusa Kaká de colocar Jesus Cristo em lugares inapropriados, onde Ele não está. Ora, fico me perguntando se Kaká também não poderia acusar Juca de manifestar sua falta de fé em lugares inadequados?

O ateu à toa faz uso da liberdade de imprensa para censurar a manifestação da liberdade de religião. Agora, eu te pergunto: o que é mais racional? O que deve prevalecer? A permissão ao agradecimento de um religioso a Deus de acordo com sua crença ou a proibição às manifestações de fé com base na intolerância e no desconforto de um descrente?

Imagino que grande parte do desconforto de Juca Kfouri se deve à revolta interna que ele sente ao perceber que a razão que motiva sua descrença não tem resposta para a maioria de suas inquietações. E, muito menos, para explicar a fé e a confiança que as pessoas – sejam elas alfabetizadas e bem informadas como Kaká ou não – têm em Jesus Cristo.

A razão acusadora do ateu à toa não lhe fornece subsídios para entender o que faz com que um homem que diz ter ressuscitado há mais de dois mil anos atrás rompa as barreiras da história, do tempo, do espaço e da evolução científica para influenciar e transformar vidas de pessoas sedentas em pleno século XXI.

O mesmo Jesus que Juca faz questão de negar disse certa vez que a boca fala do que o coração está cheio. Assim fica mais fácil entender o porquê de tantos ataques à fé cristã. É simples: o coração do Juca está cheio de ódio às pessoas que atribuem seus méritos e conquistas a Jesus Cristo.

Ver um jogador de futebol levantando as mãos pro céu após o gol causa náuseas ao ateu à toa, talvez porque ele próprio não tenha pra onde levantar as próprias mãos quando algo de bom lhe acontece. Ouvir um goleiro agradecendo a Jesus Cristo pela defesa realizada deixa o ateu à toa com ânsia de vômito, muito provavelmente porque ele não sabe – e não tem – a quem agradecer por uma conquista. Testemunhar o clamor e a gratidão de uma mãe desesperada pelo consolo que Deus lhe proporcionou quando perdeu seu filho num acidente soa como ignorância para o ateu à toa, porque ele simplesmente não tem a quem recorrer quando a razão não apresenta explicação para as perguntas sem resposta que a vida lhe impõe.

Enquanto isso, Juca Kfouri continua desprezando a alegria infinita que Deus pode e quer oferecer aos homens, como um prisioneiro dentro de uma caverna que, acorrentado à escuridão de sua própria razão, só consegue enxergar através de uma única fresta de luz exterior, julgando ser real aquilo que é apenas uma sombra da verdadeira realidade.

O Deus vivo não é um fenômeno que pode ser explicado ou comprovado por experimentos de laboratório. Deus deve ser sentido pelo coração, e não provado pela razão. Até porque a ciência jamais poderá explicar um Deus que, mesmo sendo todo-Amor, cura com a ferida, apaga o passado com fogo, consola com a dor, fala nos momentos de silêncio e dá a paz com o conflito interior.

Aliás, muitas das presunções dos que se dizem racionalistas e ateus devem ser repensadas sob a lógica das hipóteses que eles mesmos aceitam como verdadeiras. Como diz C. S. Lewis, “se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. [...] Mas se os pensamentos deles são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu”.

Por isso, entre ser escravo de uma razão que nunca vai me libertar e ser amigo e servo de um Deus que me faz livre, fico com a liberdade. Entre ser dependente de uma intelectualidade que me torna cada vez mais arrogante e ser dependente de um Deus que me faz humilde, prefiro a humildade. Entre as presepadas passageiras faladas por Juca Kfouri e as palavras de vida eterna e paz deixadas por Jesus, fico com as de Jesus. Em vez de dar crédito a um ateu que não acredita em Deus, prefiro dar crédito a um Deus que, mesmo amando, não acredita em ateus. Prefiro ter fé em um Deus que, mesmo amando, não acredita em “Jucas Kfouris”.

A diferença entre o ateu à toa e Kaká? Para o primeiro, nada na vida é um milagre. Para Kaká, tudo na vida é um milagre. Parafraseando Benjamin Franklin, Kaká acredita no cristianismo da mesma forma que acredita que o sol nasce todo dia. Não apenas porque o vê, mas porque através dele Kaká vê tudo ao seu redor.

E, da minha parte, faço como Kaká: agradeço este texto a Jesus Cristo, porque, sem Ele, eu não posso fazer nada!


Por Fernando Khoury
:: A beleza da dúvida ::

“E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar e provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de toda palavra que sai da boca do SENHOR viverá o homem. Nunca se envelheceu a tua roupa sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos. Sabes, pois, no teu coração que, como um homem disciplina seu filho, assim te disciplina o SENHOR teu Deus”

(Deuteronômio 8: 2-10)

"Assim o Senhor deu aos israelitas toda a terra que tinha prometido sob juramento aos seus antepassados, e eles tomaram posse dela e se estabeleceram ali ... De todas as boas promessas do Senhor à nação de Israel, nenhuma delas falhou; todas se cumpriram".

(Josué 21:43)

"Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos".

(Hebreus 11:1)


Existe uma beleza em não saber onde se vai chegar. Não saber ao certo o destino que se vai alcançar. Não ter a certeza do tempo certo em que nossos sonhos vão se realizar. Não conseguir antever, até mesmo, se um dia os planos que fizemos irão acontecer.

Sim, existe uma beleza na dúvida. Existe uma beleza na incerteza do futuro. Existe uma beleza em não saber exatamente o que está por vir. Pode até não parecer, mas é essa hesitação frente aos acontecimentos vindouros que transforma o preto e branco da existência no colorido da vida. É o presente da existência ornado com o perfume, o sabor e a cor do dom da vida.

Deus não se contentou apenas com nossa existência. Ele quis que nós não apenas existíssemos, mas vivêssemos. Por isso, Deus permitiu que existissem dúvidas e incertezas em nossa jornada...para que a vida pudesse ser verdadeiramente vivida. Do contrário, a vida não seria vivida, mas cumprida, pois seguiríamos um roteiro hermético e previsível, onde não haveria espaço para a surpresa. E onde não há surpresa, não há lugar para lágrimas e sorrisos; não há lugar para a dor e alegria. Onde não existe surpresa, não existe espaço para a verdadeira vida.

Imagine se Deus nos permitisse conhecer todos os passos que iríamos percorrer. Imagine se Ele nos concedesse saber, de antemão, tudo aquilo que nos sucederia. Se assim fosse, passaríamos pela vida sem ter vivido; teríamos apenas existido. Viver é experimentar, é vivenciar, é conhecer. Viver é sentir, é sofrer, é suportar. É rir e chorar. É errar e aprender; crescer e amadurecer. É descobrir os outros e descobrir-se. É surpreender o próximo e surpreender-se. Viver é saber que a qualquer momento tudo pode mudar, ou simplesmente tudo pode ficar como está. É lutar para que o pior possa melhorar. É conservar o melhor para que não venha a piorar. Viver é saber que existe sempre um elemento novo ainda desconhecido prestes a fazer nosso coração bater mais forte, seja de alegria, seja de tristeza. Viver é saber que o amor e a dor podem até passar, mas o coração continua. Viver é continuar seguindo em frente mesmo sem ter certeza de onde se vai chegar.

Contudo, para continuarmos seguindo em frente, precisamos de uma bússola que nos assegure de que estamos no caminho certo. Precisamos de algo que nos direcione, que nos norteie, que nos mostre a direção. Precisamos de segurança. Foi assim que aconteceu com o povo hebreu em sua jornada no deserto, quando foi liberto por Deus da escravidão no Egito.

Nessa época, todo o povo era cativo de Faraó. Tal opressão só terminou com o aparecimento de Moisés, que foi o homem levantado por Deus para libertar o povo e para conduzi-lo à terra prometida. Acontece que, entre a promessa e a realização da promessa, havia um hiato imenso: uma longa viagem de quarenta anos de peregrinação no deserto. A similaridade desse acontecimento com a nossa vida não é mera coincidência. De fato, entre a promessa e a realização da promessa, Deus sempre nos conduz por uma ponte de aprendizado. E o deserto é uma de suas pontes prediletas.

Deus é assim: antes de cumprir uma promessa, Ele geralmente nos coloca no deserto, porque é nas dificuldades do deserto que eu e você aprendemos a exercer a confiança genuína nEle. Algumas vezes, em nossa caminhada no deserto, Deus nos leva à mais alta das montanhas para que possamos ver como somos pequenos. Outras vezes, Deus nos leva ao mais profundo dos vales para que possamos enxergar como somos frágeis.

O deserto é a ponte que Deus mais gosta de usar para ensinar, provar e sondar o nosso coração, pois nós só conseguiremos crescer verdadeiramente se enfrentarmos nossos medos. É no calor do deserto que aprendemos a conviver com a dor. É na solidão do deserto que somos obrigados a renunciar aos nossos próprios interesses. É na insegurança do deserto que percebemos como somos fracos e vulneráveis. É no abandono do deserto que Deus nos revela seu amor e nos trata. É morrendo de fome no deserto que experimentamos que podemos viver não só de pão, mas de toda Palavra que procede da boca de Deus. É através da sede que sentimos no deserto que compreendemos como é fácil se iludir com as miragens que nossos olhos juram ver. É na homogeneidade da paisagem do deserto que entendemos como somos propensos a nos perder quando não temos um ponto de referência.

Quando não se tem um ponto de referência, tanto faz virar à direita ou à esquerda. Tanto faz seguir em frente ou voltar atrás. Pois, sem um ponto de referência, tudo é igual; não existe direção: o caminho vira descaminho, e a verdade, mentira. Sem um guia, estamos perdidos; não chegamos a lugar algum.

É por isso que Deus não nos abandona no deserto: porque Ele sabe que, sem Ele, estamos perdidos. Se não fosse por Ele, jamais chegaríamos a ver a realização da promessa; caminharíamos eternamente em círculos. Tropeçaríamos em nossos próprios passos, sem nunca conseguir atravessar a ponte. Deus sabe que, sem Ele, nada somos. Deus sempre nos ajuda a atravessar a ponte do aprendizado providenciando um jeito único de nos guiar, porque Ele conhece a nossa fragilidade e a nossa incrível tendência em se perder.

Para o povo hebreu em sua jornada no deserto, Deus foi adiante deles numa coluna de nuvem para guiá-los durante o dia e, de noite, numa coluna de fogo para iluminá-los. O fogo iluminava a escuridão e mostrava o caminho a ser seguido durante a noite; a nuvem aliviava o causticante calor do sol durante o dia. E o interessante é que a Bíblia diz que Deus, durante a caminhada no deserto, nunca retirou de diante do povo a coluna de nuvem e a coluna de fogo; nunca deixou de guiá-lo e protegê-lo. E assim também é conosco.

Contudo, quando não vemos as coisas acontecendo no sentido daquilo que Deus nos prometeu, menosprezamos as colunas de nuvem e de fogo. Achamos que Ele nos abandonou e chegamos a duvidar até mesmo da promessa que um dia Ele nos fez. Quando as promessas de Deus parecem demorar demais, não conseguimos mais enxergar qualquer beleza na dúvida. Pelo contrário, transformamos sua beleza em ingratidão, em murmúrio, em falta de fé. Deixamos nos levar pelo que os nossos olhos estão vendo, e não pela promessa que ouvimos da boca de Deus. Enfim, deixamos que a beleza da dúvida chame mais atenção que a beleza e a certeza da fidelidade de Deus.

Se esse é o seu caso, se você está deixando que a beleza da dúvida te faça duvidar da certeza da fidelidade de Deus, lembre-se: Deus é livre e fiel. Ele não precisa de qualquer circunstância favorável para nos mostrar que está ao nosso lado, cuidando de nós. Para Deus, o empenho de sua palavra deve nos bastar. A promessa de Deus deve nos ser suficiente, pois Ele não é homem para mentir. O que Deus promete, Deus cumpre, ainda que as circunstâncias o acusem de omissão, de esquecimento e de abandono.

Por isso, se você está passando por um deserto, não desanime. Pois assim como Deus protegeu, acompanhou e dirigiu os israelitas em sua viagem à Terra Prometida, Deus há de proteger, acompanhar e dirigir você! Não estamos no deserto à toa. Foi Deus quem nos colocou lá, para que, antes de vermos a realização da promessa, possamos aprender a viver em sua dependência.

Quando não estiver conseguindo enxergar, olhe para a coluna de fogo iluminando o seu caminho. Quando estiver se sentindo perdido e sem direção, olhe para a coluna de nuvem a te guiar. Quando a noite estiver fria, deixe o calor de Deus te alentar. Quando estiver se sentindo sufocado em meio ao calor intenso do deserto, acalme-se e respire o ar puro de Deus. Quando estiver quase desistindo, lembre-se que Deus não desistiu de você. Traga à sua memória apenas aquilo que pode te trazer esperança. Agarre-se à promessa. Não deixe que os seus olhos e as circunstâncias à sua volta te façam desanimar de caminhar. Antes, permita que a fé em Deus e a esperança em sua promessa te façam avançar.

Só nesse momento entenderemos que não importa tanto saber para onde se vai, mas sim com quem se vai. Não importa saber onde está a terra prometida, mas quem a prometeu. Não importa saber o destino, mas sim quem está te dirigindo. Não importa aonde os seus passos vão te levar, mas sim se é Deus que está te levando. Em nossa jornada com Deus no deserto, é caminhando que se faz o caminho. Não existem mapas. A direção é diária. É um dia de cada vez. É uma noite de cada vez. Como disse C. S. Lewis, "pensava que seguíamos caminhos já feitos, mas não os há...o nosso ir faz o caminho". Portanto, olhe para a coluna de nuvem e de fogo que Deus tem colocado diariamente ao alcance da sua visão.

Deus quer que vejamos e vivamos a promessa, mas Ele também quer que atravessemos a ponte do aprendizado. Nunca se esqueça de que a beleza da dúvida está em aprender a confiar em Deus quando nossos olhos ainda não conseguem ver a realização do que Ele prometeu. A beleza da hesitação está em ter certeza da fidelidade de Deus quando tudo à nossa volta permanece incerto. A beleza de não saber onde se vai chegar é poder chegar a qualquer momento, quando menos se espera. Por isso, alegre-se: o deserto é a ponte que Deus usa para te levar ao que Ele prometeu. E você pode estar a apenas um passo de entrar na terra prometida. Não desista agora. Você pode estar mais perto do que imagina.

 
Por Fernando Khoury
:: Castelos de Areia ::

"Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína."

(Mateus 7:24-27)

Pare tudo o que você está fazendo. Feche os olhos do coração. Fique em silêncio. Tente, por alguns instantes, trazer à sua mente tudo aquilo que já aconteceu em sua vida. Todas as pessoas que te fizeram sorrir, todas as pessoas que te fizeram chorar... Todos os sonhos que foram frustrados, todos os sonhos que se realizaram... Deixe o filme de sua vida passar pela sua cabeça nesta hora. Enfim, neste momento de reflexão, você deve preencher os seus pensamentos com todos os acontecimentos e com todas as pessoas que te fizeram ser a pessoa que é hoje.

Com apenas alguns segundos de dedicação a este exercício mental, você pode perceber muita coisa.

Você percebe que já deu muito valor para quem não merecia. E, com isso, você aprende a se valorizar... e compreende que o amor ao próximo só existe se houver, antes, amor próprio.

Você percebe que chamou de amor o que era uma simples ilusão... E você aprende que o amor verdadeiro não ilude ninguém.

Você percebe que basta uma só mentira para destruir a mais firme fortaleza da confiança... E você aprende que os mentirosos são os mais covardes, pois têm medo de encarar a realidade.

Você percebe que no mais lindo beijo pode estar escondida a mais terrível traição... E você aprende que as aparências podem enganar, e muito.

Você percebe também que os seus melhores amigos não são mais os mesmos de dez anos atrás... E você aprende que os melhores amigos só são reconhecidos nas piores e mais difíceis situações.

Você percebe que a dor da decepção te fez desistir de sonhar muitos sonhos que cultivava... E você aprende que, mesmo assim, vale a pena cultivar novos sonhos, pois o sonho é o motor da vida. Viver sem sonhar é ser pássaro e não voar.

Você percebe que muita coisa não aconteceu do jeito que você queria ou da forma que imaginou que seria... E você aprende que nem tudo acontece como você planejou, mas nem por isso as coisas deixaram de acontecer na sua vida.

Você percebe que o mundo não dá respostas para todas as suas perguntas... E você aprende que viver sem o mistério da dúvida não teria tanta graça. Você compreende que Deus não quis revelar o propósito de todas as coisas ao homem para que pudéssemos aprender a confiar nEle.

Você percebe que existem pessoas que não se cansam de machucar as outras... E você aprende que não importa o tamanho da ferida...um dia ela vai cicatrizar.

Mas, de todas as percepções, a mais importante é a de que o tempo passa e não volta mais. É a percepção de que quase tudo na vida é inconstante. Como diz Lulu Santos, a vida vem em ondas, como o mar, num indo e vindo infinito. É verdade. A vida é uma eterna mudança, é um contínuo adaptar-se... A vida é a escola do recomeço.

Cada onda nasce de um jeito e termina de um modo totalmente diferente da forma que nasceu. O vento, seja forte ou fraco, molda e guia as ondas por onde bem entende... No infinito do oceano, há muita onda, há muito vento, há muitas variáveis... E a vida também é assim.

Vivemos sob a inconstância e insegurança do mar, e somos tão vulneráveis que, a qualquer momento, um vento inesperado ou uma onda disforme pode vir e engolir nossos planos. Apesar disso, muitas pessoas insistem em colocar a areia como único fundamento dos seus projetos de vida. Pare e pense: a vida já é rápida e insegura demais para você perder tempo fazendo dos seus planos e sonhos meros castelos de areia.

Por esse motivo, devemos ter uma mudança radical de atitude quanto aos projetos que temos para nossa vida. Por mais lindo e luxuoso que seja o castelo que você está construindo, lembre-se que basta a mais leve brisa ou a menor gota da onda do mar para fazer desmoronar todo o seu castelo em poucos segundos. Todo o trabalho, energia e tempo que você perdeu para construir esse imenso castelo ficarão reduzidos a um monte de espuma e areia. Mais cedo ou mais tarde, uma onda virá e destruirá o que você levou tanto tempo para construir.

Todos nós, algum dia, já cultivamos castelos de areia. Olhe para sua vida... Quais são os seus castelos de areia? O que desmoronou na sua vida? O que está prestes a desmoronar? O que na sua vida é feito de areia? É o cultivo de amizades com pessoas que você sabe que não são companhias boas e saudáveis? É o namoro com uma pessoa que você sabe que não te merece? É a vontade momentânea de curtir a vida, mesmo que isso leve você a perder o que já conquistou de duradouro até então? É a insistência num relacionamento que você sabe não ter futuro ou com uma pessoa que só te traz dor e sofrimento?

Pare de perder tempo. Destrua você mesmo seus castelos de areia, antes que eles destruam você. Porque o que é feito de areia pode até ficar um tempo de pé, mas sempre desmorona no final. Por isso, comece agora a construir planos sólidos, pois os maiores sonhos só se realizam se possuírem como base um forte fundamento. E lembre-se: mais vale um simples casebre sobre a rocha, do que o mais belo e suntuoso castelo sobre a areia. Pense nisso. Se Jesus pensou, você também deve pensar.

Por Fernando Khoury
:: Escolhendo a melhor escolha ::

"Deus disse: pois eu os chamei, e vocês nem responderam; falei, e não me deram ouvidos. Vocês fizeram o mal diante de mim e escolheram o que me desagrada."

(Isaías 65.12)

Só existe escolha se houver opção. Só existe opção se houver, antes, liberdade. Pense comigo: só existe a possibilidade lógica de se fazer uma escolha se, num momento anterior, houver duas ou mais opções a serem feitas. Escolher é manifestar a preferência entre duas ou mais pessoas ou coisas. E só pode manifestar sua preferência aquele que é livre para tal. Portanto, não há escolha a ser feita se existir apenas uma opção. Da mesma forma, de nada adianta existir mais de uma opção se não existir liberdade. As vontades que temos fazem uso da liberdade que Deus nos deu para nos impulsionar a realizar as escolhas que queremos. Sem opção, não há escolha. Sem liberdade, não adianta haver opção. E é com o uso dessa liberdade que vamos construindo nossa própria vida, através das escolhas que fazemos. Quer ver?

Pare e pense nas várias escolhas que você já fez ao longo de sua vida, desde as mais simples até as mais complexas. Tomo suco ou refrigerante? Visto essa roupa ou aquela? Leio um livro ou converso no MSN? Faço vestibular pra Direito ou pra História? Falo o que penso ou não falo? Fico com aquele menino ou namoro com ele? Namoro com essa menina ou com aquela? Termino o namoro ou invisto na relação? Transo antes do casamento ou me preservo para o meu futuro cônjuge? Devo me casar agora ou esperar mais um pouco? Faço aborto ou assumo o filho? Continuo trabalhando nessa empresa ou tento algo novo? Deixo o dinheiro na poupança ou invisto na bolsa de valores? Compro uma casa própria ou moro de aluguel? Levo Deus a sério agora ou deixo para me preocupar com Ele quando eu ficar mais velho?

Como você pode perceber, a vida é feita de escolhas, sejam elas fáceis ou difíceis, pequenas ou grandes. E, dependendo da resposta que dermos a cada uma das perguntas acima, temos o poder de arruinar toda a nossa vida. Isto porque a vida que construímos depende das escolhas que fazemos. Nós somos a soma das nossas decisões. Cada escolha feita ontem ajudou a nos tornar aquilo que somos hoje. Cada escolha que fazemos hoje já está construindo a pessoa que seremos amanhã.

Isso tudo só é possível porque Deus não criou marionetes. Na verdade, ao criar o ser-humano, Deus poderia tê-lo feito como um boneco: sem vontade própria, sem poder de escolha, sem expressão, destinado eternamente a enfeitar a estante de um quarto. Mas Deus não quer robôs. Deus nos deu vontades. Deus nos deu opções. Deus quer pessoas com as quais possa se relacionar. Deus quer pessoas com vontades próprias, que tenham sentimentos e possam expressá-los. Deus quer lidar com as pessoas sem forçá-las a fazer algo, e sem escravizá-las nos seus gestos e atitudes.

Por essa razão, Ele não apenas colocou em nossas vidas muitas opções, mas nos deu o que alguns chamam de livre-agência - outros de livre-arbítrio -, para que pudéssemos tomar nossas próprias decisões e fazer nossas próprias escolhas. Deus nos fez livres, porque o amor só é verdadeiro se for livre, e Deus não quer receber um amor falso. Deus prefere o desprezo ao amor fingido (Ap 3.15). Deus não abre mão de que façamos nossas próprias escolhas, mesmo que nós venhamos a não escolhê-lo...mesmo que Ele não seja uma de nossas opções.

Toda escolha implica uma renúncia. Ao manifestar nossa preferência por uma pessoa ou coisa, deixamos várias outras opções para trás. Ao fazer uma opção, estamos sempre descartando alguma outra. No momento em que escolho ser advogado, por exemplo, estou abrindo mão de ser médico. No instante em que decido me casar e passar o resto da minha vida com uma pessoa, estou abrindo mão de vivenciar outros amores, e deixo-os ir embora sem qualquer tipo de dor ou saudosismo. Quando resolvo me tornar amigo do mundo, abro mão de me tornar amigo de Deus (Tg 4:4). Quando escolho nascer para Cristo, escolho automaticamente morrer para o mundo. Quando Jesus escolheu tomar a forma de homem para vir à Terra morrer por cada um de nós, Ele abriu mão da glória que tinha no céu, esvaziando-se e humilhando-se a si mesmo (Fp 2.7; Jo 17.5).

Assim, de opção em opção, vamos escrevendo um livro intitulado "minha vida". Cada um de nós é responsável por seu próprio livro e nenhum de nós pode acusar o outro por aquilo que escrevemos com o lápis que Deus nos deu. O que nos cabe, no máximo, é reconhecer o nosso próprio erro e reescrever as páginas que escrevemos de forma errada. Porém, até para reconhecermos o nosso próprio erro é preciso que se faça uma escolha: a escolha de ser humilde.

Se Jesus, mesmo sendo o Deus todo-poderoso, escolheu ser humilde, quem somos nós para não fazê-lo? O rei mais poderoso que já existiu não escolheu castelos e tronos, mas uma manjedoura. O Leão da Tribo de Judá preferiu se apresentar aos homens como um cordeiro. O Rei dos Reis todo-poderoso escolheu vir ao mundo não para ser servido, mas para servir e salvar vidas. Se Cristo, o Rei dos Reis, escolheu morrer por nós, devemos escolher viver por Ele. Se Cristo escolheu entregar seu coração por nós, também devemos escolher entregar nosso coração a Ele. Se Cristo escolheu dar a sua vida por nós, devemos escolher entregar nossa vida a Ele.

Deus nos deu o controle do barco da nossa vida. Temos a liberdade de virar o leme para a direita ou para a esquerda. Temos a opção de voltar atrás, parar, ou seguir em frente. Somos livres para fazer nossas próprias escolhas. Mas lembre-se: não somos livres para escolher as consequências de nossas opções. Cada escolha que fazemos, por menor que seja, sempre irá causar algum impacto não apenas em nossa própria vida, mas também na vida daqueles que nos cercam.

Por isso, cabe a nós buscarmos fazer sempre a melhor escolha. E, para escolher a melhor escolha, precisamos da ajuda de Deus. Portanto, não se comporte como aquela criança que, agora que cresceu um pouco, se acha totalmente capaz de tomar decisões sem pedir conselhos aos seus pais. Peça conselhos ao seu Pai. Peça a ajuda dEle, não importa o tamanho da escolha que você tenha que fazer. Para rejeitar o erro e fazer as escolhas certas (Is 7.15), devemos antes escolher ouvir a voz de Deus, mesmo que seja contrária à nossa própria voz.

Por Fernando Khoury
:: Se Deus é o culpado, a culpa é nossa ::

“A mulher que está dando à luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo. Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém lhes tirará essa alegria. Naquele dia vocês não me perguntarão mais nada. [...] Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.

(João 16.21)

Todos nós temos a incrível tendência de procurar culpados para as grandes fatalidades da vida. A inocente criança vítima de abuso sexual. O trágico acidente que roubou a vida de um filho. A queda do avião com recém-casados indo para a lua de mel. O poder devastador do câncer que faz um coração cheio de sonhos parar de bater. A chuva torrencial que deixou 2 mil turistas ilhados sem água e sem comida em Machu Picchu. O terrível terremoto que matou mais de 200 mil pessoas no Haiti.

Diante de tais tragédias, não resta muito que fazer. Nessas horas, quando não encontramos argumentos racionais e explicações aceitáveis para a tragédia que nos assola, maior e mais inconsolável é a dor que o nosso coração é obrigado a suportar…e maior e mais ardente é a nossa inclinação para culpar a Deus.

Nos momentos de desesperança, os ateus gostam de se lembrar de Deus apenas para culpá-lo. Muitas das pessoas que eram simpáticas à existência de um Deus amoroso deixam de ser. E muitos daqueles que sempre acreditaram fielmente em um Deus protetor e cuidadoso se decepcionam vorazmente. Todos esses, de uma forma ou de outra, acabam incriminando a Deus em seus corações, vociferando em amargo tom:

“Por que Deus permitiu que minha filhinha fosse abusada sexualmente?
Por que Deus não fez nada para evitar que o avião caísse?
Por que Deus permitiu que uma pessoa tão jovem fosse consumida por um câncer? Por que Deus se omite ao ver a natureza que Ele criou se rebelando contra a humanidade?”

Não há nada mais natural do que essa reação. Quando acontece uma tragédia que nós, em nossa limitação, não entendemos ou não conseguimos compreender o porquê, é normal que coloquemos a responsabilidade sobre algo ou alguém que também não entendemos ou compreendemos plenamente. Quando o incognoscível nos faz sofrer, colocar a culpa no desconhecido parece ter o poder inexplicável de nos confortar.

Mas não conforta. Antes, nos aprisiona a uma dor que nunca vai cicatrizar totalmente; torna-nos escravos de uma pergunta que nunca vai ter resposta. Do lado da acusação, estamos nós, os seres-humanos. E Deus, no banco dos réus, acaba se tornando cada vez mais o grande culpado, justamente porque Ele ainda não é conhecido por grande parte de seus acusadores.

Se a humanidade conhecesse mais o Deus que a criou, certamente pararia para pensar no seguinte: e se Deus simplesmente não for o autor responsável por tudo isso? E se a culpa for do homem, da máquina, do clima? E se eu aprender a viver em minha pequenez existencial aceitando, mesmo sem conseguir compreender totalmente, o mistério acerca da soberania de Deus e da responsabilidade do homem? E se não existir necessariamente um culpado?

 Se nós conhecêssemos mais a Deus, fatalmente entenderíamos que Ele nos ama, mesmo que as circunstâncias O acusem dizendo que Ele não nos ama. Compreenderíamos que o amor de Deus se aperfeiçoa, muitas vezes, no abandono. Perceberíamos que Deus é soberano, mas o homem é responsável. Enfim, saberíamos que Ele continua com seus olhos sempre abertos cuidando de nós, mesmo que nossos olhos O acusem da mais terrível omissão.

O grande erro da humanidade está em pensar que, se Deus existe, nenhum mal pode acontecer. Porém, Deus não depende de acontecimentos extraordinários ou de milagres para provar sua existência e demonstrar seu amor. Deus está na maior de todas as curas, e também está na maior de todas as perdas. Deus não precisa de circunstâncias favoráveis para mostrar que está ao nosso lado, cuidando de nós. Para demonstrar seu amor por nós, Deus não precisa de mais nada além do que já fez: dar a vida do seu único filho numa cruz.

A verdade é que todos esses desastres apontam para uma única resposta: a fragilidade do ser-humano. Sim, somos vulneráveis, fracos e pequenos demais. Hoje podemos estar cheios de vigor e esbanjando saúde, e amanhã amanhecermos num leito de hospital com insuficiência respiratória, à beira da morte. Deus não nos criou para sentir dor, mas sentimos. Deus não nos criou para morrer, mas morremos. O que aconteceu? O que está errado?

C.S. Lewis disse que “todo homem sabe que algo está errado quando sente dor”. Portanto, a dor que sentimos não nos mostra que Deus não existe ou não ama o ser-humano. Antes, nos mostra que algo está errado; nos mostra que a vida que vivemos hoje não é a vida que Deus criou para vivermos. Mostra-nos que o mundo como o conhecemos não é o mundo como Deus o concebeu. De fato, toda a dor, todas as mortes e todo o sofrimento que nos assolam não estavam de acordo com o plano inicial de Deus, mas são frutos do nosso afastamento em relação ao nosso Criador desde o início da criação.

Mas Deus não parou. O nosso Pai não nos abandonou à nossa própria sorte. O Filho não desistiu, nem se deu por satisfeito. O Espírito não deixou de comunicar o seu amor. Para buscar resgatar o homem ao seu plano inicial, Deus preferiu condenar um inocente para salvar os verdadeiros culpados. Sim, a morte de um inocente trouxe vida a todos os culpados. Jesus veio ao mundo para dar vida eterna a todos aqueles que creiam no Seu nome e vivam como Ele viveu. Isso é promessa de Deus:

“EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA. QUEM CRÊ EM MIM, AINDA QUE MORRA, VIVERÁ” (João 11.25). 
EU ENXUGAREI DE SEUS OLHOS TODA LÁGRIMA; E NÃO HAVERÁ MAIS MORTE, NEM HAVERÁ MAIS PRANTO, NEM LAMENTO, NEM DOR.” (Apocalipse 21:4)

Se continuarmos olhando para todas essas tragédias através de uma visão estritamente humana e sem conhecer o verdadeiro caráter de Deus, acabaremos empurrando nossas almas do alto de um abismo, cada vez mais para longe dEle. E, assim, a cada dia nos tornaremos um pouco mais frágeis, vulneráveis, perdidos e sem esperança. Está na hora de, antes de acusarmos a Deus, olharmos para a trave que está no nosso próprio olho. Está na hora de conhecermos a Deus como Ele verdadeiramente é. Porque se Deus é o culpado, a culpa é nossa.

Por Fernando Khoury
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