:: O Natal e os pássaros ::



"E darás à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados."
Mateus 1:21
Deus fala o tempo todo. Os atentos ouvem. Os observadores veem. Mas há aqueles - e são muitos - que, mesmo ouvindo, não entendem; mesmo vendo, não enxergam. São os surdos portadores da pior surdez: a que não quer ouvir. São os cegos que carregam consigo a pior cegueira: a que se nega a ver.

A nossa civilização nos ensinou a dar valor apenas àquilo que nossos olhos podem ver. Nos acostumamos a ter como verdadeiro apenas aquilo que nossas mãos podem tocar. Como se uma simples centelha do material pudesse encobrir o incandescente fogo do espiritual. Como se a luz transitória do visível fosse capaz de ofuscar o brilho eterno do invísivel. Não é à toa que, no mundo em que vivemos, Deus anda muito esquecido por nós.

Não façamos de mais um Natal uma mera troca de presentes. Nem achemos que o Natal é uma época em que as pessoas estão mais amorosas por causa do "espírito natalino". O Natal é muito mais que isso.

Que, neste Natal, possamos dar mais valor àquilo que os nossos olhos não podem ver. Que resgatemos em nossos corações a verdadeira essência do Natal: Jesus Cristo nasceu para morrer por cada um de nós e, assim, nos reconciliar com Deus e nos dar a vida eterna.

Não deixe de ler a história de Natal abaixo. É de autoria desconhecida, e muito pouco difundida. Contudo, revela de forma simples e profunda uma das maiores verdades sobre o Natal.

Feliz Natal e um 2013 cheio das boas surpresas vindas daquele que amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Obrigado por todos que acompanham assiduamente o Blog,

Fernando Khoury

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Certo homem, chamado Mogo, costumava olhar o Natal como uma festa sem o menor sentido.

Segundo ele, a noite de 24 de dezembro era a mais triste do ano, porque muitas pessoas se davam conta de quão solitárias eram, ou sentiam muito a ausência da pessoa querida que não esteve presente durante o ano.

Mogo era um homem bom.

Tinha uma família, procurava ajudar o próximo, e era honesto nos negócios.

Entretanto, não podia admitir que as pessoas fossem ingênuas a ponto de acreditar que um Deus havia descido à Terra para consolar e salvar os homens. Mogo não conseguia acreditar em Jesus.

Sendo uma pessoa de princípios, não tinha medo de dizer a todos que o Natal, além de ser mais triste que alegre, também estava baseado numa história irreal.

- Um Deus se transformando em homem.

Como sempre, na véspera da celebração do nascimento de Cristo, sua esposa e seus filhos se prepararam para ir à igreja.

E, como de costume, Mogo resolveu deixá-los ir sozinhos, dizendo:
- Seria hipócrita da minha parte acompanhá-los.

Estarei aqui esperando a volta de vocês.

Quando a família saiu, Mogo sentou-se em sua cadeira preferida, acendeu a lareira, e começou a ler os jornais daquele dia.

Entretanto, logo foi distraído por um barulho na sua janela, seguido de outro… e mais outro.

Achando que era alguém jogando bolas de neve, Mogo pegou o casaco para sair, na esperança de dar um susto no intruso.

Assim que abriu a porta, notou um bando de pássaros que haviam perdido seu rumo por causa de uma tempestade, e agora tremiam na neve.

Como tinham notado a casa aquecida, tentaram entrar, mas, ao se chocarem contra o vidro, machucaram suas asas, e só poderiam voar de novo quando elas estivessem curadas.

“Não posso deixar essas criaturas aqui fora”, pensou Mogo. “Como ajuda-las?”

Mogo foi até a porta de sua garagem, abriu-a e acendeu a luz.

Os pássaros, porém, não se moveram.

“Elas estão com medo”, pensou Mogo.

Então, entrou na casa, pegou alguns miolos de pão, e fez uma trilha até a garagem aquecida.

Mas a estratégia não deu resultado.

Mogo abriu os braços, tentou conduzi-los com gritos carinhosos, empurrou delicadamente um e outro, mas os pássaros ficaram mais nervosos ainda – começaram a se debater, andando sem direção pela neve e gastando inutilmente o pouco de força que ainda possuíam.

Mogo já não sabia o que fazer.

- Vocês devem estar me achando uma criatura aterradora - Disse, em voz alta.
- Será que não entendem que podem confiar em mim?

Desesperado, gritou:
- Se eu tivesse, neste momento, uma chance de me transformar em pássaro só por alguns minutos, para conseguir me comunicar com vocês, vocês veriam que eu estou realmente querendo salvá-los!

Neste momento, o sino da igreja tocou, anunciando a meia-noite.

Um dos pássaros transformou-se em anjo, e perguntou a Mogo:
- Agora você entende Mogo, por que Deus precisava transformar-se em ser humano, na pessoa de Jesus de Nazaré?
:: Estagiários da Cruz ::




“O amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou".

2 Coríntios 5.14-15

“Então o anjo me mostrou o rio da água da vida que, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro, no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, que frutifica doze vezes por ano, uma por mês. As folhas da árvore servem para a cura das nações. Já não haverá maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão. Eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas. Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre”.
Apocalipse 22.1-5
 

Um dia já fui estudante de Direito. O estágio durava de quatro a seis horas. Tinha hora pra começar e pra terminar. Nele, aprendia a cuidar das palavras e a formular teses que fossem aptas a conquistar o convencimento do juiz. As vidas das pessoas – que se escondiam atrás da frieza das inúmeras pilhas e folhas de processos – eram apenas um aspecto acessório, secundário. Meu trato era com papeis. O profissionalismo me ensinou, como exige o mercado, a me fazer cego para as lágrimas e surdo para a dor. Minha resposta para o sofrimento era a insensibilidade e a indiferença.

Hoje estudo a Bíblia e os ensinamentos de Cristo. O estágio de um seminarista é a própria vida. Não tem hora pra começar, nem pra terminar. Nele, estou aprendendo a cuidar das pessoas e a aplicar ao coração delas as palavras de amor, vida eterna e paz do Supremo e Gracioso Juiz. As vidas das pessoas – que continuamente se escondem atrás de seus medos, traumas e pecados – são tudo que importa. Meu trato é com vidas, pois lágrimas não nascem para ser desprezadas. Jesus está me ensinando, como só pode ensinar o Amor, a ouvir onde só há silêncio e a enxergar onde há apenas escuridão. Minha resposta para o sofrimento das pessoas é Jesus: em mim, através de mim, para o próximo.

Esperança de uma nova vida é a semente que Jesus lança e cultiva no coração de todo aquele que se abre ao Seu chamado. É preciso nascer de novo, de um jeito novo, com um coração novo. Porque onde não há fé não há horizonte.
 

Por Fernando Khoury

:: O trigo, o joio e o Agricultor ::


“O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro”.

Mateus 13.24-30


Algumas pessoas fazem parte da igreja por causa de Cristo, e até gostam do pastor.
Outras fazem parte da igreja por causa do pastor, e até gostam de Cristo.

Algumas pessoas se animam a ir à igreja por causa dos amigos, mas depois continuam frequentando só por causa de Cristo.
Outras se animam a ir à igreja por causa de Cristo, mas depois continuam frequentando só por causa do clube de amigos.

Algumas pessoas vão à igreja para cultuar e adorar a Cristo, e até admiram o pastor – ou não.
Outras vão à igreja para idolatrar e paparicar o pastor, e até admiram a Cristo – ou não.

Algumas pessoas entronizam Deus nos altos céus em meio aos cânticos e louvores e o glorificam pelo pastor que possuem.
Outras glorificam o pastor e o entronizam acima dos querubins, exaltando o portador da mensagem em detrimento do Mensageiro.

Algumas pessoas saem da igreja ao se decepcionarem com o pastor ou com outros irmãos, mas deixam-se tratar pela graça curadora de Cristo e dEle continuam servos firmes e fiéis.
Outras aproveitam a oportunidade para abandonar o evangelho, apostatar da fé ou se afastar de Cristo, deixando-se dominar pela escravidão da falta de perdão, e dela se tornam servos fiéis.

Algumas pessoas se constrangem com o amor de Deus ao descobrirem o que o evangelho é capaz de fazer com seus muitos pecados, se entregam e, chorando, se santificam. Genuinamente convertidos.
Outras constrangem o amor de Deus ao fazer uso do evangelho como esconderijo dos seus muitos pecados, se maquiam de santos e, sorrindo, se condenam. Perdidamente convencidos.

Algumas pessoas aceitam a verdade das Escrituras e nela creem como palavra de Deus para salvar o homem.
Outras tentam moldar as Escrituras às suas próprias verdades e se autoconstituem deuses de uma falsa palavra incapaz de salvar.

Algumas pessoas afinam todos os seus atos e pensamentos à crença em Jesus. Santificam em Cristo a totalidade das suas atitudes e da sua razão.
Outras adaptam a crença em Jesus aos seus próprios atos e superstições. Crucificam a Cristo no madeiro do orgulho.

Algumas pessoas procuram o único tesouro que dá sentido à vida e, ao encontrá-lo, não o largam mais. Deixam pra trás tudo que têm, vendem tudo que possuem: o tesouro vira a razão do seu viver.
Outras procuram tesouros aleatórios que trazem felicidades passageiras e, ao encontrá-los, menosprezam o verdadeiro tesouro que um dia encontraram. Tratam-no como loucura ou, quando muito, como um tesouro comum, de igual ou menor valor às riquezas dos homens.

Algumas pessoas são chamadas cristãs por terem a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador.
Outras se dizem cristãs pelo simples fato de irem à igreja de Cristo semanalmente. Mas eu nunca vi um cliente ter a audácia de se dizer padeiro pelo simples fato de ir à padaria.

Sementes boas e ruins, plantadas no mesmo campo, por semeadores distintos. Todas se alimentando da mesma terra. Crescem juntas, bem próximas umas às outras. Chegam até a se confundir na aparência. Conseguem enganar a muitos, menos ao Agricultor. O Dono do campo nunca se engana, pois conhece pelo nome cada uma das boas sementes que plantou.  

Algumas pessoas são trigo. Outras, de tanto parecerem trigo, se acham trigo — mas continuam sendo apenas joio. Nós, no tempo presente, simplesmente não podemos saber quem é quem… e nem temos essa prerrogativa! Mas no dia da vinda do Agricultor, algumas serão libertadas da terra e abastecerão sua casa. Outras serão arrancadas da terra e lançadas ao fogo, juntamente com o inimigo que as plantou.

Não basta ser semente plantada no campo do Agricultor. É preciso ser trigo. Que, no mistério que existe na tensão entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana, não sejamos contados entre os joios, pela graça de Cristo.
Por Fernando Khoury
:: Flores artificiais ::
"O pobre e o necessitado buscam água, e não a encontram! Suas línguas estão ressequidas de sede. Mas eu, o Senhor, lhes responderei; eu, o Deus de Israel, não os abandonarei. Abrirei rios nas colinas estéreis, e fontes nos vales. Transformarei o deserto num lago, e o chão ressequido em mananciais. Porei no deserto o cedro, a acácia, a murta e a oliveira. Colocarei juntos no ermo o cipreste, o abeto e o pinheiro, para que o povo veja e saiba, e todos vejam e saibam, que a mão do Senhor fez isso, que o Santo de Israel o criou.

Isaías 41.17-20


Um profeta digno é sempre uma raiz em solo árido. É uma fonte de águas claras e cristalinas que sacia a sede daqueles que buscam a verdade. É um manancial que umedece as gargantas ressecadas daqueles que perambulam pelo deserto da mentira. É um oásis de Deus que faz brotar de rochas secas águas limpas. É um rio que inunda de águas vivas lagos que só fazem armazenar água parada, podre e imunda. Um profeta digno é aquele que não compactua com a mentira, ou com qualquer variante sua – sejam omissões, simulações ou dissimulações –, pois sabe que a verdade dói, mas não mata; pois sabe que a mentira agrada, mas não cura. Um profeta digno sempre denuncia a falsidade e orienta através do amor e do compromisso com a a verdade, porque sabe que profetas de verdade são, antes de tudo, profetas da verdade.

Mentir é agir contra a própria consciência; é fingir ser verdade o que se sabe não ser. Mas vai além: a mentira é mais do que a mera deturpação da verdade. É qualquer espécie de falseamento da realidade visando proporcionar benefício próprio ou de terceiro,  e é geralmente utilizada – se não sempre – como mecanismo de conveniência e proteção pessoal. A mentira não depende de palavras exteriores. É a simples intenção de enganar consubstanciada em gestos, atos ou falas, ainda que venha a causar dano ou prejuízo a outra pessoa. Como diz Santo Agostinho, “com a boca do coração devemos nos abster de proferir qualquer mentira”... “não há mentira, apesar do que se diz, sem intenção, desejo ou vontade de enganar”.

A mentira é sempre um atalho entre os fatos e a verdade; é um desvio de rota entre o que de fato aconteceu e o que se disse ter acontecido. É um recurso fácil e desonesto que dispensa o mentiroso das duras e penosas consequências da verdade. Na prática, acontece assim: o mentiroso sente o sabor amargo da verdade e, enjoado, vomita qualquer tipo de falsificação da realidade. O mentiroso tem medo do preço que a verdade pode lhe cobrar, e – porque sabe que é devedor de uma dívida que só pode ser paga com sinceridade, transparência e uma dose de prejuízo pessoal – é feito eterno escravo e fiel escudeiro da mentira que criou.  

 “A boca que mente escraviza a alma”, dizia Agostinho. É por isso que a Bíblia ensina que a mentira é filha do demônio ou, em outros termos, tem o DNA do capeta: nos oferece vida, poder e grandeza, mas nos torna escravos da morte, destruição e humilhação. Nos oferece uma falsa paz. Enche nossos olhos com tudo que é falso e nos inspira a questionar a verdade ouvida pessoalmente da boca do próprio Deus – que é a própria Verdade em si. Como se fosse possível existir outro caminho, outra verdade ou outra forma de vida fora de Jesus. Como se fosse possível nascer uma flor no meio da sequidão da mentira.

Em solos áridos e rachados não costumam nascer flores... senão para aqueles que gostam de cultivar flores artificiais. Flores artificiais não precisam de água. Flores artificiais não precisam de alimento. Não precisam de sol, de cuidado ou nutrientes. Não alteram sua forma, nem sua aparente beleza. Estão sempre falsamente lindas e impecáveis, não importa o vento que bata. Suas cores são mortas. Suas pétalas não têm aroma. Seu brilho inexiste.

Por isso mesmo flores artificiais não conseguem nos enganar por muito tempo. Suas cores, de tão falsas, não resistem ao teste da aproximação. Sua beleza, de tão forjada, não resiste ao teste do caráter. Seu aroma, de tão inexistente, não resiste ao teste da intimidade. Seu brilho, de tão opaco, não deixa a luz da verdade transpassar. E, onde não há luz, não há reconhecimento de pecado, nem transformação, nem alimento, nem amadurecimento.

É nesse tipo terreno que flores artificiais nascem e se sustentam, porque flores artificiais não gostam de luz. São sepulcros caiados: belos e perfumados por fora, podres e fétidos por dentro. São essas as flores prediletas de profetas indignos. Porque profetas indignos são agricultores que não gostam de irrigar solos áridos e rachados com a água da verdade. Antes, regam com o lodo da mentira corações doentes e não tradados, e acabam colhendo flores artificiais.

Por isso, quem busca sinceramente a Verdade deveria escolher seus líderes com cuidado muito superior ao que utiliza para escolher seu marido ou sua esposa. Cristãos autênticos deveriam escolher os bancos da igreja que irão ocupar com preocupação muito maior do que a usada para escolher as privadas de banheiros públicos em que costumam sentar para fazer suas necessidades fisiológicas. Mas não tem sido assim...e muitos cristãos acabam se acostumando a admirar flores artificiais que continuam brotando, cada vez mais, de jardins de profetas indignos.

Paz garantida pela omissão da verdade não é paz verdadeira; é paz de cemitério. Onde há mentira, há morte. E onde há morte, não pode haver verdade ou glorificação de Deus. “Pois a sepultura não pode louvar-te, ó Deus, e a morte não pode cantar teu louvor. Aqueles que descem à cova não podem esperar pela tua fidelidade. Os vivos, somente os vivos, te louvam” (Isaías 38.18).

Deus, livra-nos dos profetas indignos. Livra-nos de sermos flores artificiais. Livra-nos desse jardim de morte. Leva-nos para o teu jardim de vida. Para que com nossas atitudes possamos viver de acordo a Verdade e te glorificar. Amém.Top of Form

Por Fernando Khoury

:: Apedrejamento Moral ::


“Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E a lei de Moisés diz que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? [...] Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra”. (João 8)

Uma mulher foi pega em flagrante adultério. Diante da lei dos judeus, a pena para este ato era o apedrejamento dos adúlteros até a morte: uma execução pública, fria e sanguinária, praticada pelos fariseus e escribas, pessoas que se diziam intérpretes e defensoras da Palavra de Deus.

O tempo passou e o apedrejamento físico, tal como descrito na Bíblia, só persiste em alguns poucos países muçulmanos. Mas o apedrejamento moral...ah, esse persiste em todas as igrejas modernas. Na verdade, esses dois tipos de apedrejamento são praticamente iguais. A única diferença é que, enquanto no apedrejamento físico lança-se a pedra com a mão a fim de ferir o corpo do acusado, no apedrejamento moral lança-se uma palavra com a boca a fim de ferir sua alma. Em ambos, há morte do acusado: no primeiro, há morte física; no segundo, há morte espiritual.

Os mesmos fariseus e escribas dos tempos de Jesus estão presentes nos bancos das igrejas contemporâneas, e são os principais responsáveis pelo dissimulado apedrejamento moral e ético que se vive hoje. Assim como antigamente, esses fariseus e escribas de hoje em dia confundem exortação com acusação; pedido de oração com fofoca e misericórdia com prazer na desgraça alheia.

A (triste) realidade é que muitos cristãos não se lembram de levar suas Bíblias para os cultos, mas quase nenhum deles se esquece de levar um pote cheio de pedras, para usá-las em “nome do Senhor”. Logicamente, não me refiro às pedras extraídas de rochedos, mas sim às pedras extraídas de corações de rocha, endurecidos e distantes do verdadeiro amor pregado por Jesus. Isto porque só é capaz de atirar pedras num irmão quem possui um coração de pedra.

Muitas igrejas atuais estão assim, cheias de juízes prontos e ávidos para julgar o próximo, mas pouquíssimos sacerdotes. Aliás, onde estão os sacerdotes? Onde estão os mediadores entre Deus e o povo, para oferecerem sacrifícios e orarem em seu favor? Onde estão aqueles que ajudam o pecador na expiação de seus pecados e na sua reconciliação com Deus? Chega de falsos sacerdotes! Chega de juízes! Chega de cristãos que, em nome do amor, usam palavras como pedras afiadas para arrancar sangue das almas das pessoas, condenando-as à eterna morte espiritual. Deus não precisa de juízes; Deus precisa de sacerdotes. Deus não é como os homens, que todo ano abrem concurso para juízes. Deus só abre concurso para sacerdotes, porque é através do sacerdócio que Ele transforma a vida do ser humano.

Essa predisposição humana de ser juiz do próximo, e não sacerdote, foi percebida por Jesus. Por isso, preocupado não só com as pedras que podem matar o corpo, mas também com as palavras que podem matar a alma, Ele proferiu as seguintes palavras: “Vocês já conhecem o mandamento que diz ‘não matarás’. Quem matar será julgado. Eu, porém, lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão ou contra ele proferir um insulto, este será julgado” (Mateus 5.21). Em outras palavras, o que Jesus está dizendo é que Deus não se importa apenas com a pedra que a mão do homem atira, mas também com a palavra que a sua boca pronuncia contra o próximo. Para Deus, o homicídio não consiste apenas em fazer o coração de alguém parar de bater; consiste também em fazer a alma de uma pessoa chorar.

Deus pensa assim porque Ele tem um alto conceito a respeito da vida humana. O ser humano, em toda sua completude, é sagrado aos olhos de Deus e, por essa razão, ofender o ser humano, ainda que minimamente, é ofender o seu criador. É como se Jesus estivesse dizendo: “A adoração a Deus envolve o respeito ao próximo. Não espere do seu Deus vida, se você não está disposto a promover a vida do seu irmão. Não espere do seu Deus palavras de vida eterna e paz, se a sua boca só profere palavras de condenação e intriga contra o seu semelhante”.

Que nós, a partir de hoje, possamos abrir nossas bocas apenas para orar, e não mais para apedrejar; apenas para perdoar, e não mais para acusar; apenas para promover paz, e não contenda. Não brinquemos com aquilo que é sagrado aos olhos de Deus. Não brinquemos com o ser humano.

por Fernando Khoury
:: A geladeira e a minha fé gelada ::

"Pai, o pão nosso de cada dia nos dai hoje"
Mateus 6.12


O modo como o ser humano se relaciona com os alimentos nunca mais foi o mesmo desde que o australiano James Harrison inventou a geladeira em 1856. Infelizmente, não foi apenas a forma de o homem interagir com o alimento que mudou... a forma como nós entendemos e vivemos a fé em Deus também mudou drasticamente. A fé na provisão, no sustento de Deus e em sua dependência diária nunca mais foram os mesmos. E a culpa é da geladeira! Isso mesmo. É toda dela, e somente dela, a responsabilidade pela frieza da nossa fé nos dias de hoje.

Antes, o ser humano acordava sem ter à sua disposição uma imensa gama de variedades do que comer. Na verdade, ele provavelmente se levantava sem saber se teria e o que teria para comer no dia, e se deitava sem saber qual seria o seu sustento no dia seguinte. A cada amanhecer, ele deveria providenciar meios de encontrar ou produzir comida em quantidade suficiente para alimentar a si e a sua família naquele mesmo dia. Cada dia era um novo dia. Guardar? Nem pensar. Do contrário, o alimento apodreceria. Era preciso contar todo dia com a graça e a provisão de Deus. Assim como o alimento espiritual, o alimento físico era alcançado um dia de cada vez, não podia ser guardado para o dia seguinte. Nesse contexto, faz todo sentido a oração do Pai Nosso, que clama a Deus pelo “pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

Por causa da geladeira, o “pão nosso de cada dia nos dai hoje" foi virando, aos poucos, "o meu pão de toda a semana eu já consegui". O que antes não se podia guardar e era utilizado para sustento diário foi, paulatinamente, virando estoque e dispensa para necessidade futura. A graça de Deus, com que se contava todo dia, foi trocada por idas semanais aos supermercados abarrotados de alimentos de todo tipo. Trocamos o clamor do “pão nosso de cada dia dá-nos hoje” pelo simples abrir e fechar de uma porta de geladeira.

Jesus nos instruiu: "não vos preocupeis com o que haveis de comer ou vestir, pois se Deus cuida das flores e dos pássaros, quanto mais de vocês". Porém, para quem tem a geladeira cheia de comida e o armário lotado de roupa, é muito fácil deixar passar despercebido o verdadeiro senso de gratidão e de dependência diária de Deus.

A fartura e a provisão são bênçãos e presentes de Deus, é verdade. Mas, se usadas e encaradas da forma errada, podem se transformar em verdadeira maldição e armadilha para a nossa fé.

Ao sermos agraciados com a dádiva de poder ir toda semana a um supermercado e voltar com o carrinho cheio de compras para abastecer nossas geladeiras, nós não somos só abençoados, mas também tentados a esquecer dAquele que nos concedeu tamanha graça, e acabamos desaprendendo, sutilmente, a viver e a pedir o pão nosso de cada dia.

Nos esquecemos de pedir a Deus pelo pão. Nos esquecemos de pedir e agradecer pela sua provisão dia após dia. Porque, afinal de contas, quando a minha recheada geladeira se esvaziar, basta eu ir ao mercado novamente e voltar a abastecer aquele aparelho imenso que desabastece a minha fé e a torna cada vez mais gélida e insensível.

O pão que era de cada dia passa a ser da semana inteira. O pão que era nosso vira o meu pão. E o que sobra... nós guardamos em nossas geladeiras. Assim, numa só tacada, erramos duas vezes: deixamos de contar com a provisão diária de Deus e nos “esquecemos” de ajudar o próximo, ao optar por armazenar para nosso sustento futuro o alimento que poderia encher o prato vazio de uma pessoa que passa fome agora.

O trabalhador dá mais valor ao seu salário quando recebe sua remuneração após um longo dia de trabalho, porque pode ver no final daquele mesmo dia o fruto do seu suor materializado na possibilidade de se sustentar por mais um dia. Por outro lado, receber uma bolada, ao final do mês, tem efeito contrário: amesquinha nosso senso de gratidão e nos faz desmerecer o patrão, o emprego e o salário recebido. Faz-nos desprezar a dádiva do presente e nos preocupar em excesso com o nosso próprio futuro. Eis a nossa incoerência e contradição: temos de sobra, para dar e vender. Mas não damos. Quando muito, vendemos. E, mesmo assim, nos preocupamos cada vez mais com o nosso próprio amanhã!

Quem não tem comida no prato não tem tempo para se preocupar com o amanhã. Quem está com fome agora não tem tempo para se preocupar com o que terá pra comer no minuto seguinte. Quem não tem roupa suficiente não tem tempo para se preocupar com o frio da próxima noite. Tudo que essa pessoa quer, e precisa, é se virar só por mais aquele dia. Ela é obrigada a contar com a graça de Deus dia após dia. Ela é obrigada a contar com a provisão de Deus minuto a minuto. A situação do presente já é escassa demais para que essa pessoa se dê ao luxo de ter preocupações com o dia de amanhã. Para esses, basta a cada dia o seu próprio mal.

Querer sempre mais. Esse é o mal da nossa geração. Estamos sempre querendo algo novo, que ainda não temos, e insatisfeitos com o que antes sonhávamos ter – mas agora já temos. Tendemos a valorizar o que ainda não nos foi dado e, assim, menosprezamos o que já recebemos. E, ao priorizar o que ainda não temos, canalizamos cada vez mais recursos para o “nosso eu” e cada vez menos para o “próximo cada vez mais distante”.

Estamos mais dispostos a “inchar” do que propriamente a repartir e a doar. E ainda temos a coragem de perguntar o porquê de o mundo estar assim. Alguns, ainda pior, se lembram de Deus nessa hora apenas para culpá-lo... mas a culpa é nossa.  "Deus irá multiplicar o que eu e você estivermos dispostos a repartir" (Ariovaldo Ramos).

Não sou contra sonhos. Não sou contra riqueza, metas e desejo de progredir. Também não sou a favor de voto de pobreza, de estagnação e de acomodação. Este texto é apenas um alerta para uma geração insaciável que quer sempre mais e, nesse ímpeto suicida, se esquece de Deus e se esquece do próximo. É apenas um convite a essa geração para resgatar em seu coração a essência da dependência diária de Deus, o contentamento com o que Ele nos dá e o verdadeiro sentido do “pão nosso de cada dia”.

Pai, dá-nos novamente o “pão nosso de cada dia”. Que olhemos para nossas geladeiras e possamos ver a Sua mão e a Sua provisão. E que possamos abrir suas portas não apenas para encher nossas próprias barrigas. Amém.

Por Fernando Khoury
:: Confusão - uma pequena reflexão ::


“'Como então podemos saber o caminho?' Respondeu Jesus: 'Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim'.”
João 14.5

As pessoas andam tão confusas que sequer percebem a própria confusão em que vivem. Acham que está tudo bem, tudo em paz, quando, na verdade, é o próprio caos o governante dos seus corações.

A grande habilidade do "rei Caos" é incutir na mente de seus súditos a ideia de que está tudo em ordem... Assim como a grande estratégia de Satanás é cegar a vista de pessoas perdidas para a sua verdadeira condição. Pensam, sinceramente, que encontraram o verdadeiro caminho que leva à salvação.

Mas suas almas estão tão perdidas quanto antes. O que parece luz são trevas. O que parece paz, confusão. O que parece caminho é descaminho. O que parece salvação, perdição.

Cuidado! “Se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas serão” (Mateus 6.23).


Por Fernando Khoury
:: Ritmo suave, melodia leve ::


Não basta haver som.
Tem que haver, também, um meio que o transmita.

Não basta haver um meio que o transmita.
Deve haver um instrumento capaz de captar suas ondas e emitir o som recebido.

Não basta haver um instrumento, como um rádio.
É preciso ligá-lo à eletricidade ou a pilhas para que tenha energia suficiente para captar o que está sendo transmitido.

Não basta haver energia suficiente.
É preciso sintonizar o rádio corretamente à estação, para não haver interferências e ruídos na mensagem transmitida.

Não basta sintonizar corretamente à estação.
É preciso sintonizar uma estação que emita um som que você quer ouvir, agradável aos ouvidos.

Não basta escolher uma estação que emita apenas sons que você quer ouvir.
É preciso conhecer uma estação que emita o som que você precisa ouvir, que toque profundamente o seu coração e promova transformação de vida! Ainda que isso implique ouvir o que você não quer ouvir.

Mas cuidado! Não é qualquer estação que emite o som que você precisa ouvir. Na verdade, todas as estações emitem somente o som que você quer ouvir, com exceção de uma. Sim, apenas uma estação emite o som que você realmente precisa ouvir: a estação do Amor.

Se seu coração estiver sintonizado em qualquer outra estação que não seja essa, o som poderá até fazer seu coração bater mais forte, mas, depois de poucos segundos, sua vida voltará a ser a mesma, e você até se esquecerá daquele som. O som poderá fazer até você chorar, mas serão lágrimas que escorrerão em seu rosto sem promover uma verdadeira mudança em seu coração.

Enfim, qualquer som que não seja o perfeito e genuíno som produzirá em seu coração apenas um momento transitório de satisfação pessoal e alívio instantâneo, com dia e hora certos para acabar.

O som? A palavra de Deus.
O meio? A Bíblia.
O rádio? O coração.
A energia? A comunhão com Deus e com o próximo.
A sintonia correta para o coração? O Amor, que é a freqüência de Jesus Cristo.
O som que você quer ouvir? Os prazeres e as falsas religiões que oferecem um alívio instantâneo e imediato, porém efêmero e vazio. Esse som não possibilita a transformação do seu coração e da sua vida.
O som que você precisa ouvir? Jesus Cristo, o único que pode te dar a verdadeira paz e a incomparável promessa de vida eterna, pois só Ele venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia. Todos os outros sons são meros barulhos. Jesus é o único genuíno e perfeito som. Ouça:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”
(João 3.16)

“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.”
(João 11.25-26)

"Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.”
(João 14.1 e 27)

"A morte foi destruída. A vitória é completa! Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu poder de ferir? O que dá à morte o poder de ferir é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”
(I Coríntios 15.54-57)

Há tanto barulho por aí que acabamos confusos, perdidos em tanta algazarra. Mas quando se trata da salvação das nossas almas, só há um som perfeito e genuíno: o som de Jesus Cristo. Sintonize seu coração na estação certa. Ouça o som de Jesus. Deixe-se embalar pela música que mudará para sempre a sua vida. Seu ritmo é suave. Sua melodia, leve (Mt 11.28). O resultado? Amor, transformação, paz, vida eterna. Ouça. Sinta. Dance. Viva... Eternamente!


Por Fernando Khoury
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