:: Deixando o filho ir ::

Ministérios são filhos que Deus nos dá.
Exigem de nós carinho, atenção, cuidado.
Demandam de nós diálogo, sinceridade, intimidade.
Requerem de nós doação, renúncia, amor.
Filhos são bençãos de Deus, milagres do Altíssimo, felicidade indizível.
Ministérios também.
Filhos fazem seus pais rirem, se alegrarem, se encantarem…
Mas também, por vezes, os fazem chorar.
A paternidade é recheada de surpresas, bençãos, decepções.
Ministérios também.
Filhos, quando chegam, mexem e remexem a agenda de seus pais.
Transformam seus valores, reorganizam suas prioridades.
Ministérios também.
Ministérios, quando são dados à luz, reorientam a vida, renovam o foco .
Como filhos que roubam para sempre o coração de seus pais, ministérios também roubam a agenda do coração dos seus facilitadores.
Sim, facilitadores; pois todo pai tem o chamado de ser um facilitador de seu filho…
Mas facilitar nem sempre — na verdade, quase nunca — significa instruir no caminho mais fácil.
Às vezes, para facilitar é preciso dificultar. É preciso dizer não, ainda que cause mágoas, tristeza e lágrimas.
Facilitar, às vezes, significa instruir a seguir pelo caminho mais difícil.
Não é fácil ser pai. Não é fácil ser facilitador.
Não é fácil, mas é recompensador!
Filhos sempre aprendem com seus pais; mas pais, quase com a mesma intensidade, também aprendem — e muito — com seus filhos… aprendem, principalmente, o divino ofício ser pai.
Com ministérios também é assim.
Afinal, o que são os pais senão marinheiros de primeira viagem a quem Deus resolve conceder a melhor das navegações que se pode fazer em vida?
O que são pais senão pessoas inexperientes, mas cheias de amor, a quem Deus escolhe confiar inteiramente a vida e os projetos de um outro ser feito à sua imagem e semelhança?
O que são facilitadores de ministérios senão pessoas imperfeitas a quem Deus, em sua infinita misericórdia e graça, decide confiar temporariamente o cuidado de vidas e projetos de alguns de seus amados filhinhos?
Sim, temporariamente; pois nada é inteiramente nosso. Se existe algo que marca a nossa trajetória passageira por aqui é a efemeridade; palavra tão bonita, mas tão dura, seca e fria se comparada com o desejo de eternidade que, dia e noite, brota dentro de nós e nos impulsiona a levantar de nossas camas. Lembre-se: não somos proprietários de ninguém, nem de nos mesmos! Somos mordomos; não temos nada, mas possuímos tudo. Possuímos tudo que o Proprietário e Criador de todas as coisas, em sua bondade nos confia. Nada nos pertence. Inclusive os nossos próprios filhos. Filhos não pertencem a seus pais; pertencem a Deus. Ministérios também não pertencem a seus facilitadores; pertencem a Deus.
Por isso, dedique-se de corpo e alma aos que Deus te confia. Mas não se deixe apegar mais ao ministério do que Àquele que é o seu motivo e razão de ser. Não dê mais valor à música do que Àquele que a compôs. Tudo que possuímos nos é por Deus confiado apenas por um tempo determinado. Todo projeto ou sonho que cultivamos deve ser frágil o suficiente para ruir quando Deus não o quiser mais. Não se deixe dominar a ponto de não conseguir abrir mão quando Ele te pedir de volta. Vai doer… Separação sempre dói. Mas filhos sempre crescem; de totalmente dependentes, passam a seguir o próprio rumo das suas vidas, com suas próprias pernas. Filhos saem de casa. Filhos se casam. Um dia, todo filho vai deixar seus pais, e os pais têm que aprender a deixar seus filhos irem. Do mesmo modo, um dia, todo pai vai deixar seu filho, e o filho também tem que aprender a aceitar a ida de seu pai.
De idas e vindas — chegadas e partidas — é feita a vida. Mesmo sabendo disso, não conseguimos assimilar nem aceitar a ideia da perda. Desapego é uma palavra difícil de se pronunciar no coração. Apegar-se é nossa inata predileção. E isso é bom! Mas nem por isso exige de nós menos cuidado. Pois todo apego é um ídolo em potencial. Filhos são ídolos em potencial para seus pais. Ministérios também são ídolos em potencial para seus facilitadores. Sim, facilitadores de ministérios são pais que correm o risco de idolatrar seus próprios filhos, juntamente com o seu nobre ofício amoroso. Pro pai, seu filho é sempre o mais esperto, o mais brilhante. Abraão sofreu para conseguir se desapegar de Isaque. O filho da promessa, tão amado e esperado, sutil e dasapercebidamente, passou a ser idolatrado. Assim como Abraão, todo pai — e todo facilitador de ministério — deve buscar se livrar da sutil tentação de idolatrar as pessoas e projetos que Deus lhe confia.
Cultive o amor que se apega sem se deixar dominar. Cultive o amor que se prende sem se deixar aprisionar. Desapego e desprendimento são virtudes por demais caras àqueles que se dignam ser chamados mordomos de Deus.
Portanto, doe-se, renuncie e dedique-se àqueles a quem Deus te confiou, sem nunca se esquecer de que chegará o dia em que eles sairão do seu cuidado, mas nunca do seu coração. É verdade: um dia eles não estarão mais sob seus imperfeitos e vacilantes braços, mas continuarão envolvidos no abraço perfeito e caloroso do nosso Pai.
Filhos e ministérios são assim: não são criados para ficar na gaiola; são criados para voar.
E, no dia em que voam, até podemos sentir saudades, ou quem sabe chorar… mas nunca murmurar!
Porque sabemos que eles podem até ter ido, mas sempre que quiserem podem voltar.
Pois, na verdade, eles nunca pertenceram a nós.
Eles sempre foram, são e continuarão sendo de Deus.

Por Fernando Khoury


:: Teologia do encontro ::

Os encontros mais significativos — e mais marcantes — de Jesus ocorreram fora do Templo. Os encontros mais impactantes do Mestre aconteceram no vaivém da vida, fora dos espaços tidos como religiosos, fora dos espaços geográficos voltados para o sagrado.
Jesus sabia que a vida é o espaço sagrado mais valioso para que o Espírito possa “religar” filhos pródigos perdidos à prodigalidade e à segurança do amor do Pai.
Pense nisso da próxima vez que a sua missão se restringir a levar alguém para a sua igreja.
Não que isso seja ruim. Pelo contrário.
Mas muito mais necessário que isso é levar a Igreja de Cristo para a vida desse alguém.
Afinal, estar na igreja não significa ser igreja, necessariamente.
E vice-versa.
Ser igreja, na igreja e fora dela, é o desafio.
Porque igreja é gente, e não lugar.

Por Fernando Khoury


:: Assombroso fascínio ::

Me entendes,
Sem nenhuma explicação.
Me sondas,
Enxergas minha confusão.
Completas
Toda a minha solidão.
Preenches
Os vazios do coração.
Sem ti
A vida não faz sentido
Na cruz
Encontrei meu melhor amigo
Meu Bom Pastor
Que me traz de volta pra Si
Que Deus é esse
Que jamais me abandona?
E me liberta de tudo que me aprisiona?
Que busca o perdido?
Levanta o cansado?
Traz paz ao aflito?
E não resiste a um coração quebrantado?
Que Deus é esse
Que sustenta o universo?
Que me perdoa quando peco?
E não me deixa sozinho?
Que cura toda dor?
Cuida de flores e passarinhos?
E me ensina o que é o amor?
Que Deus é esse?
É o meu Deus, o nosso Criador
O dono da minha vida
É o nosso Pai, o meu Salvador
Que sustenta o universo
E se preocupa com a minha dor

Por Fernando Khoury


:: O menino que só queria brincar de sonhar ::


Ele não nasceu.
Ele surgiu.
Ele sumiu.
E apareceu
Deitado de bruços,
Como quem ainda dorme um sono profundo,
Como quem ainda sonha com um novo mundo,
Numa inóspita praia que virou cemitério.
Abandonado,
Largado,
Seus lábios beijam o chão molhado do descaso com o sagrado.
Rosto sufocado,
Rejeitado
Nos grãos de areia do mar da indiferença,
Que faz da sua terra de nascença
Sua irrecorrível e desumana sentença.
Chamam isso de surto migratório.
Eu chamo de apocalipse inglório,
A celebração de mais um velório
Cultivado no jardim da decadência moral.
Um menino que só queria brincar de sonhar,
De viver,
Morreu sonhando.
Sonhando viver.
O menino que só queria brincar de viver,
De sonhar
Acabou órfão de tudo
Órfão de um mundo
Que nunca mereceu lhe ver bebê.
Ei, menino que só queria brincar de sonhar:
Peça-nos de novo para dar-lhe de beber
Peça-nos de novo para dar-lhe de comer
Peça-nos de novo para deixá-lo brincar de sonhar,
De viver
E quem sabe assim, por fim, você acabe matando de vez a nossa sede
E acabe saciando pra sempre nossa miséria
E nos ensine de novo a brincar de sonhar, de viver.
Porque brincar de matar é a nossa miserável sorte
Até que Aquele que é a própria Vida venha e mate em nós a própria morte.
Ei, menino que só queria brincar de sonhar,
De viver,
Eu sei que você morreu sonhando.
Sonhando viver.
Vai, e agora que está ao lado do Cristo,
Vive a vida que nós lhe privamos de ter.
Ei, menino de apenas 3 anos
Órfão de tudo,
Órfão do mundo:
O Pai te chamou de volta,
Pra nós, talvez, antes da hora
Pra você poder encontrar agora
O que de tanto sonhar buscava,
Mas nós roubamos do seu ser.
Vai, Aylan Kurdi!
Vai, menino-criança!
Dorme, menino-bebê…
Brinque de sonhar, brinque de viver
Enquanto matamos milhares de outros Aylans
Tão cheios de vida e de sonhos
Como você.

Por Fernando Khoury


#AylanKurdi
#KiyiyaVuranInsanlik
#surtomigratorio
“Jesus, porém, disse: Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais, porque o reino do céu é dos que são como elas.”Mateus 19.14
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