:: O Papa é um fofo ::


O Papa é um fofo. Essa é a frase que mais tenho lido e escutado nos últimos dias, desde que Jorge Mario Bergoglio aterrissou em solo brasileiro. Seja católico, evangélico, muçulmano, judeu, ateu, espírita, umbandista; seja hetero ou homossexual; seja mídia impressa ou televisiva; seja argentino ou brasileiro – enfim, seja quem for – essa é a frase que está na boca e no coração do povo: “o Papa Francisco é um fofo”.

E realmente é. Um Papa sorridente, carismático, humilde, que pede ao povo que reze por ele, realmente é um Papa fofo. Ou pelo menos continuará sendo “um fofo” até que os filhos dessa terra dourada e mãe gentil chamada Brasil percebam que a mensagem anunciada por Bergoglio não é tão áurea e amável assim, e tampouco agradável e conveniente aos interesses de todos.

Minha dúvida é se esse mesmo povo – que hoje considera o Papa um fofo – continuará nele enxergando as mesmas fofurices que diz hoje existirem quando atentar para a profundeza da mensagem anunciada e perceber que ela não é tão fofa e interessante quanto parece.

“Ide e fazei discípulos” é o lema da Jornada Mundial da Juventude 2013. Ir, fazer discípulos, batizar, ensinar as pessoas a guardarem as coisas que Jesus ensinou é a ordenança que o Deus encarnado, morto e ressurreto deixou para os seus. Anunciar o escândalo que a mensagem da cruz representa, do amor constrangedor de um Deus que não mede esforços ou limites para trazer o ser humano de volta para Si. Isso é anunciar o evangelho.

A verdade, na maioria das vezes, não é fofa nem agradável. Costuma ser dura, costuma nos confrontar e fazer refletir. A verdade nos leva a quebrar paradigmas, preconceitos; nos leva ao arrependimento. Se a mensagem da cruz não tem o poder de causar nenhuma dessas reações em nós, uma de duas coisas está errada: ou o mensageiro está adulterando a verdade bíblica para agradar os ouvintes, ou o destinatário da mensagem está recortando seu conteúdo para apenas absorver o que interessa e jogar fora o que para si não convém. Acredito que, nesse momento, estamos vivendo o segundo erro. Preste atenção no que o Papa Francisco tem dito:

“Hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros.”

“O casamento gay é uma manobra do diabo para destruir a família.”
"Se nós não professarmos Jesus Cristo, nos converteremos em uma ONG piedosa, não em uma noiva do Senhor."

“A fé em Jesus Cristo não é enrolação, é algo muito sério. É um escândalo que Deus se tenha feito um de nós, é um escândalo, e que tenha morrido numa cruz, é um escândalo. O escândalo da cruz. A cruz segue sendo um escândalo, mas é o único caminho seguro, aquele da cruz, aquele de Jesus, a encarnação de Jesus."

"A fé é inteira e não se liquefaz. É a fé em Jesus. É a fé no Filho de Deus feito homem, que amou e morreu por mim.”

A igreja de Cristo não pode – e não deve – almejar agradar a todo o mundo. A verdade de Cristo deve ser anunciada em sua inteireza, sem nunca visar o que o povo quer ouvir, mas sim o que precisa ser ouvido, mesmo que contrário às conveniências humanas – e isso o Papa está fazendo. Jesus não foi um fofo. O Papa também não está sendo. Preste atenção na forma como você está absorvendo a mensagem. Não ouça apenas o que quer ouvir. Não faça recortes. Você precisa ouvir a mensagem da cruz. Como ela é. E a mensagem é esta: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).


Por Fernando Khoury
:: Sopro ::

“Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa.”
Tiago 4.14

“Senhor, que é o homem para que te importes com ele, ou o filho do homem para que por ele te interesses? O homem é como um sopro; seus dias são como uma sombra passageira.”
Salmos 144.3-4

Frágil. Todo ser humano deveria vir com um adesivo colado em seu corpo contendo aquele tão antigo e conhecido alerta descrito nas caixas de papelão: "CUIDADO! FRÁGIL. MANTER LONGE DO FRIO E CALOR. SUJEITO A QUEBRAS E RANHADURAS".

Somos sujeitos às intempéries da vida. Suscetíveis à solidão, à depressão e ao sofrimento. Fracos e sedentos diante do intenso e desconfortável calor do deserto. Sensíveis a palavras, ofensas e atritos. Vulneráveis a tudo e a todos. Tudo na criação pode nos atingir. Todas as criaturas possuem o poder de nos diminuir.  

FRÁGIL. Essa é a nossa realidade. Não importa o cargo profissional que você ocupe, a posição social que você ostente ou quão inatingível você se sinta por qualquer outro tipo de orgulho alimentado em seu interior: você continua sendo um vapor que aparece por um breve instante e logo se desvanece (Tiago 4.14).

Tipos de orgulho são tipos abertos, sutis, altamente flexíveis e facilmente moldáveis a qualquer situação. Seja você rico ou pobre, sinta-se você bonito ou feio, julgue-se você religioso ou não, o orgulho é uma espécie maquiavélica de célula-tronco que nunca para de agir e se reproduzir em nós: a todo instante, é capaz de se transformar e de se replicar em qualquer “tecido” do nosso ser, ocultando dos nossos sentidos o clamor da intrínseca e gritante fragilidade que habita em nós.

É verdade. O orgulho possui esse estranho poder de esconder nossa frágil natureza de nós mesmos; de obscurecer nossa real dependência de um único Alguém que possa suprir plenamente as carências que sentimos. O orgulho mente descaradamente para nós. Como um anjo de luz, nos faz acreditar que somos tudo e, porque acreditamos que somos tudo, acreditamos que podemos tudo... quando, na verdade, não passamos de uma sombra, de um sopro (Salmos 144.3-4).

Reconhecer a impossibilidade de se bastar a si mesmo já é um grande passo, pois romper com o orgulho é sempre passo difícil de ser dado. É, no mínimo, ser sincero consigo mesmo. É assumir que um sopro, por mais ensimesmado que seja, jamais pode se ver como furacão, pois sopros não possuem existência própria. São sempre provenientes de um outro Alguém. Reconhecer-se como sopro, portanto, é começar a encontrar a própria origem; é descobrir de onde partimos e a quem pertencemos.

O sopro que eu sou não foi proveniente de mim mesmo ou do acaso. Deus me formou do pó da terra, e soprou em minhas narinas o sopro da vida. Foi através do fôlego de Deus que eu e você nos tornamos almas viventes (Gênesis 2.7). Só temos vida porque Deus, em amor, decidiu soprar o Seu próprio fôlego de vida em nós. Somos sopro de Deus, dEle viemos e a Ele pertencemos.

Porém, o sopro assoprado para ser eterno se ensimesmou, abandonou sua origem dependente e quis se tornar furacão. Cegado pelo orgulho, se esqueceu de que furacões não existem sem ventos, e ventos não existem sem sopro, e sopro não existe sem um pulmão que respire vida e comunique o seu próprio fôlego ao que não tem fôlego de per se. O sopro gritou “independência ou morte”, perdeu o fôlego e morreu.

O sopro que era eterno, pleno e saudável – pois ligado à videira – tornou-se fugaz, vazio e doente. Tudo porque a real percepção de si mesmo foi obscurecida pelo orgulho, e pelo orgulho nasceu o pecado, e do pecado veio a separação entre sopro e pulmão, e da desunião entre sopro e pulmão, a morte.

Mas Deus voltou a soprar. O fôlego de vida fez-se sopro para a morte derrotar. Soprou-se a si mesmo, suportou a morte em meu lugar.

E, agora, felizes, os sopros podem, livres, ao pulmão retornar. Pois Jesus fez-se sopro incorruptível, para que os sopros corruptíveis regressassem ao verdadeiro lar. O pulmão é Deus, e sem ele não se pode respirar.

Pare de utilizar aparelhos artificiais de respiração. Respire Jesus, pois só o sopro dEle pode te dar a salvação.



Por Fernando Khoury
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