:: Alice no país das Mara(vilha)s ::

"Não peça a Deus para alimentar um faminto se você tem comida em abundância."
Rob Bell

"DEUS diz: EU estou disposto a multiplicar aquilo que vocês tiverem dispostos a repartir. No evangelho, não é possível haver gente nadando em dinheiro e ao mesmo tempo gente passando fome."
Ariovaldo Ramos


"A fé sem obras é morta." 
Tiago 2:26

"Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade."
 I João, 3.17

É uma sexta-feira. O despertador toca às cinco e meia da manhã. Obrigada pelos pais, Alice acorda cedo pra estudar, mesmo sem gostar muito. Antes de sair, escova os dentes e toma um belo café da manhã, com direito a frutas e pães variados, mas sem leite, porque disso ela não gosta. Alice também não gosta do colégio em que estuda e acha que ele fica longe demais da sua casa, mesmo tendo um motorista que a leva e busca todo dia no carro da família.

Meio-dia. Hora de sair do colégio. O motorista já esta a postos para buscar Alice e levá-la para casa, onde um almoço quentinho feito pela diarista a aguarda sobre a mesa. Alice faz seu prato e, enquanto come, reclama com Dona Neusa que a carne está dura e que não gosta de brócolis. Ao fim, deixa metade do prato cheio: Alice geralmente não agüenta a comida toda e, todo dia, o lixo recebe as suas sobras.

Com a barriga cheia, Alice senta em frente ao computador para falar com alguns amigos no MSN e postar alguns scraps no orkut. Cansada, deita no sofá e só acorda às 20h, quando já é hora de se arrumar para o culto jovem de sua igreja. Depois de tomar banho, diante do seu enorme armário, Alice reclama com sua mãe que não tem roupa pra sair. Com tanta demora e sacrifício para se vestir, Alice chega atrasada no culto, ouve metade da pregação e, enquanto a banda toca o último louvor, ela já combina com os amigos da igreja de ver um filme no shopping e lanchar no McDonald’s. Após o programa, novamente de barriga cheia, Alice pega um táxi e só chega em casa de madrugada. No meio de um bocejo e outro, ela tira a maquiagem, escova os dentes e, já deitada em sua cama limpa, perfumada e macia, dorme no meio da oração.

É uma sexta-feira. O despertador toca às cinco e meia da manhã. Obrigada pela vida, Mara acorda cedo pra trabalhar e ajudar a família, mesmo sonhando um dia poder estudar, como as outras pessoas na idade dela fazem. Antes de sair, Mara não escova os dentes, porque sua mãe não tem dinheiro para comprar escova. Mara também não toma café da manhã, mas bebe com prazer meio copo de leite que irá sustentá-la até a hora do almoço. Mara não tem carro, nem escola, nem motorista.

Meio-dia. Mara almoça durante o trabalho, comendo uma quentinha fria de arroz e feijão feita em casa por ela mesma um dia antes. Quando raspa o “prato”, dando fim ao último grão de arroz que iria sobrar, Mara ainda está com fome, mas ela já está acostumada a não ficar com a barriga cheia.

Mara chega em casa só depois das 20h. Seu cansaço não é maior que o ânimo que tem de se arrumar para fazer o programa do dia: ver Globo Repórter na casa de uma amiga, uma das poucas que tem televisão no bairro todo. Apressada, Mara toma banho de balde, porque não tem ducha, nem banheiro. Mara também não tem dificuldade de escolher a roupa que vai usar, porque só tem mesmo uma roupa para sair. O seu armário é uma gaveta. Após o programa, que não teve lanche, Mara volta andando pra “casa” onde mora e, não podendo escovar os dentes, se apressa em dormir em seu colchão duro e velho, para que a sensação de fome só volte a atormentá-la pela manhã. Mas, antes disso, Mara se ajoelha e agradece a Deus pelo dia e pede que nunca falte comida em sua casa.

Alice quer; Mara precisa. Alice sente fome; Mara passa fome...

 É um sábado. O despertador toca às oito horas da manhã. Como resposta à oração de Mara, alguns poucos cristãos atentos à voz de Deus acordam cedo para levar mantimentos, escovas de dente, carinho e amor até a “casa” de Mara, que fica num bairro pobre do RJ. Enquanto isso, Alice continua dormindo: achou o movimento de ação social organizado pela igreja cedo e longe demais. 

Por Fernando Khoury
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3 Responses
  1. Isadora Says:

    Nandinho,
    Adorei o texto, excelente.
    Foi um ótimo momento de reflexão.
    Fico feliz sempre de compartilhar com você a "fome" de pensar nos outros.
    Um super beijo!
    Dodó


  2. dida Says:

    MA-RA-VI-LHO-SO!!!!

    Tinha lido no boletim, quando saiu e tenho o prazer de ler novamente!!!


  3. Pô Fernando, bela reflexão! Me deixou com poucas palavras na boca ou na ponta dos dedos, mas com uma porção na mente. Hora de refletir!

    Deus continue abençoando, e ve se atualiza mais o blog mano, rs.


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