:: Esquizofrenia gospel ou o modo de pensar seletivo dos evangélicos ::

Alguém te avisa que a presidente e deputados estão usando aviões da Força Aérea Brasileira para viajar para compromissos pessoais, às expensas do patrimônio público do povo brasileiro, em vez de comprar passagem com o salário que recebem. Alguém te alerta que a presidente e deputados estão comendo em restaurantes caros e pagam a conta com dinheiro de impostos, e não com o salário que recebem. Alguém te comunica que desembargadores, promotores e ministros do TCU, muito bem assalariados, recebem em dinheiro auxílio-aluguel, mesmo quando já possuem casa própria.
São todos fatos reais, que aconteceram e acontecem em nosso país. Diante do alerta e do conhecimento genérico desses fatos, o que você faz?
Como dever cívico e ético de combate à imoralidade, à amoralidade e à corrupção, você provavelmente toma uma ou mais das seguintes atitudes: se possível, você tenta conversar com os envolvidos e dissuadi-los de suas práticas, você avisa aos órgãos de fiscalização, corre atrás da informação, alerta à potencial vítima (o povo), você conversa com seus amigos sobre, você compartilha no facebook, e talvez até vá pra rua protestar. No mínimo, você faz um panelaço! Afinal, o dinheiro do povo não pode ser usado de forma leviana e espúria, para financiar interesses pessoais de quem quer que seja. O povo merece a verdade e a transparência do que está sendo feito com o seu dinheiro.
Agora, se o líder religioso da sua igreja, que já recebe um  salário bem acima da média, está usando, em vez do seu carro próprio, o carro e a gasolina da congregação para se locomover e viajar em compromissos estritamente pessoais; se está levando as notas fiscais dos restaurantes onde almoça e de diversos outros gastos pessoais para a igreja pagar; se recebe auxílio-aluguel em dinheiro das verbas da igreja, mesmo já possuindo casa própria... Tudo isso na surdina. O que você faz?
Como "servo bom e fiel", você não faz nada, guarda tudo pra si, não fala sobre o assunto com ninguém, tampouco tenta dissuadir os líderes envolvidos, não alerta ninguém, não corre atrás da informação, pois cada um vai prestar contas dos seus atos perante Deus. Ou, se tenta tomar algumas dessas atitudes para se posicionar contra práticas desse tipo ocorridas dentro da igreja, os líderes envolvidos e boa parte dos seus irmãos te acusam de fazer fofoca e gerar contenda, o que não edifica em nada e ainda atrapalha a evangelização! Ou seja, o panelaço nas igrejas é às avessas: é para manter a ignorância e a amoralidade! Os fiéis não precisam saber como é destinado e o que é feito com o dinheiro que ofertam para a obra de Deus. Isso é responsabilidade dos líderes perante Deus. O fiel já fez a sua parte ao ofertar - e isso basta!
Percebe a contradição? Percebe a alienação? Existe uma "esquizofrenia gospel" profunda no mundo evangélico tupiniquim. Um modo de pensar seletivo, bipartido e altamente pernicioso, que só contribui para mais palhaços tomarem conta do circo em que já estamos vivendo.
Veja: enquanto perante o governo ser um bom cristão e cidadão é cumprir o dever cívico e ético de tomar atitudes proativas de combate a suspeitas de imoralidade, amoralidade e corrupção, perante líderes religiosos, ser um bom cristão e cidadão é fazer exatamente o oposto! Em um caso, com o meu dinheiro - com o dinheiro do povo e para o povo - ser um bom cristão é dissuadir, é agir, é alertar, é combater. No outro, com o dinheiro que nos é confiado por Deus e ofertado para sua obra, ser um bom cristão é se omitir e se alienar... ou, no máximo para os "muito corajosos", é ir conversar com os líderes e sair isolado e em silêncio sob a acusação de ser fofoqueiro.
Os argumentos utilizados para defender essa esquizofrenia são os mais curiosos e variados: "Tem tanta gente morrendo. Vamos amar as pessoas e ajudar o pobre, em vez de fazer fofoca com bobeiras que não edificam!", "A máxima do evangelho é o amor, não a discussão e a contenda. Temos que ser mansos!", "Em seus passos, o que faria Jesus? Certamente não iria agir assim! Ele quer paz", "deixa pra lá. Olhe pra Jesus, não para homens. Pastores têm uma responsabilidade especial e serão cobrados por Deus por tudo que fizerem", "Não se pode falar sobre problemas da igreja para incrédulos, seja pessoalmente, seja por facebook. Pois falar abertamente sobre os problemas que existem na igreja não ajuda em nada e ainda atrapalha a evangelização dos perdidos".
Será?
O argumento do amor e da mansidão é muito bonito e necessário, mas amor e mansidão também identificam e disciplinam o erro. Amor cego não é amor, é doença. Mansidão sem firmeza de posição e de convicção não é mansidão, é covardia. Desde quando amor virou sinônimo de complacência irresponsável? Desde quando mansidão virou sinônimo de omissão? Desde quando amar o próximo e ajudar o pobre me isenta da responsabilidade moral de lutar pelo que é justo é certo inclusive dentro da igreja?
Mansidão não é sinônimo de ser idiota, muito menos de baixar a cabeça pra tudo o que os "papas evangélicos" falam e fazem.  Ser cristão não é sinônimo de ter a mente cauterizada. Se tivéssemos cristãos mais corajosos e cônscios de suas responsabilidades não apenas SOCIAIS, mas também MORAIS, não veríamos esse circo cheio de atrocidades e imoralidades que se instaurou em nosso meio, inclusive em igrejas históricas. Socialmente, devemos sempre tentar cumprir o nosso papel. Moralmente, também.
Você e eu temos o dever e a responsabilidade de conversar em amor com líderes nossos que venham a praticar atos amorais e imorais. Afinal, pastores também são ovelhas, e, como tais, também podem se perder e carecer de um direcionamento sensato e sóbrio. Mas não são todos os líderes que estão abertos, quando necessário, a serem tratados, aconselhados e corrigidos - infelizmente. Uma boa parte deles ainda vai te tratar como fofoqueiro e citar meia dúzia de versículos bíblicos fora de contexto para defender suas práticas e continuar no erro.
O argumento que diz que alertar e denunciar abertamente o erro atrapalha a evangelização e afasta os incrédulos de Deus, sem dúvidas, é o mais curioso. A proposta, em outros termos, é a seguinte: não vamos mais alertar e falar sobre as amoralidades, imoralidades e corrupções que acontecem nas instituições governamentais do nosso país, porque se não todos vão perder o encanto pelo Brasil e ninguém mais vai querer conhecer as belezas que aqui existem. É importante que o Brasil tenha sempre uma imagem positiva para os de fora, para que o país possa receber investimentos externos e crescer. Vamos tapar os olhos para tudo o que acontece de errado na nossa terra, não vamos alertar sobre nenhuma mazela, vamos fingir que está tudo moralmente correto, pois o importante é alcançar turistas e investimentos. Certo? Espero, sinceramente, que a maioria dos brasileiros responda que não, que não está nada certo, pois a corrupção é sempre perniciosa e, como tal, deve sempre ser combatida, onde quer quer ela se encontre. Se for necessário um impeachment da presidente democraticamente eleita para estancar a corrupção, ainda que a imagem da nação fique desgastada diante das tristes verdades, que haja. A verdade sempre liberta. A mentira sempre aprisiona.
Pois bem. Desde quando tapar os olhos para a hipocrisia interna da igreja e não falar abertamente sobre elas virou estratégia de evangelização? Igreja não deveria ser empresa, pastor não deveria ser empresário e ovelha não deveria ser cliente. Igreja não é empresa para viver de propaganda e marketing. O marketing de Jesus Cristo sempre foi o anti-marketing. Sua mensagem não era atrativa e convidativa o suficiente para conquistar multidões. Ele não escondeu erros e farisaísmos da elite religiosa dominante para alcançar vidas. Se Aquele que é o caminho, a verdade e a vida não maquiou a essência da boa notícia para atrair mais seguidores, por que iria eu querer alargar uma porta que já e, por si mesma, estreita?
Eu penso exatamente assim. Alertar sobre as mazelas que vejo e vivencio dentro do mundo evangélico - ao contrário do que muitos pensam - abre portas para a disseminação do verdadeiro Evangelho. Isso mesmo! E por várias razões. Explico.
Primeiro, porque o que realmente atrapalha a evangelização é o senso comum entre os incrédulos de que crente é sempre burro, alienado e alvo de lavagem cerebral feita por líderes astutos que querem roubar seu dinheiro. E defender amoralidades como essas dentro da igreja ou se omitir em relação a elas apenas contribui para aumentar ainda mais esse preconceito já estabelecido. A maioria das pessoas simplesmente não está mais disposta a ouvir ou a dar crédito a um alienado falando sobre sua fé em Cristo.
Segundo, porque reconhecer e combater amoralidades internas causa uma estranheza e uma curiosidade sadias sobre os que estão de fora: "Peraí, você é evangélico, mas não concorda com o que muitos deles estão fazendo? Me explica melhor isso!". Se posicionar contra amoralidades internas abre portas não apenas para falar de Jesus, mas para mostrar Jesus agindo e ser um pequeno Cristo diante de injustiças sociais e morais, inclusive aquelas que ocorrem dentro dos "Templos de Salomão" modernos
Terceiro, porque se o de fora um dia entrar numa igreja, ele já entra ciente de que não é um clube de santos e imaculados. E isso permite apresentar a graça genuína de Cristo mesmo diante da natureza pecaminosa do homem. Ao reconhecer que cristãos não são santarrões, mas sim simples pecadores resgatados, sujeitos a erros e acertos, posso dizer ao incrédulo com convicção: "Não somos salvos porque fazemos o bem, mas fazemos o bem porque somos salvos. Não são os nossos atos bons que nos salvam, nem os nossos atos maus que nos condenam. Não somos tratados e amados por Deus com base no que fazemos, mas com base no que Cristo fez por nós. Porque se Deus fosse levar em conta o que fazemos, estaríamos todos condenados. Cristo nos ama e nos salva apesar de nós mesmos e das nossas mazelas. O amor de Deus pelo ser humano não é cego! Isso, sim, é Evangelho.
Quarto, porque é a verdade, e não o engano, que sempre liberta. E lutar ao lado da verdade ajuda a desfazer preconceitos, a transformar corações e a mudar a mente das pessoas. 
Quinto e último, porque é o Espírito Santo que convence do pecado, da justiça e do juízo, e todo aquele que o Pai dá ao Filho dele sempre se aproxima, e de modo nenhum é lançado fora. Foi o próprio Bom Pastor quem disse: "as minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar". 
Portanto, vamos parar de usar usar a Bíblia ou jargões evangélicos pra defender absurdos. Usar a Bíblia de acordo com a conveniência é baixaria gospel revestida de verniz de espiritualidade. Quando é conveniente, nenhum líder religioso cita Jesus virando tudo de cabeça pra baixo no Templo ou João Batista denunciando reis e fariseus. Ninguém vai citar 1 Co 11.19 e tantos outros casos bíblicos. Teriam Jesus, João, Paulo e tantos outros incentivado a fofoca, a contenda e abandonado o amor e a evangelização? Todos eles sabiam amar o próximo, mas todos eles também sabiam identificar o erro e combatê-lo. Todos eles sabiam que uma atitude não exclui a outra, mas, pelo contrário, podem - e devem - caminhar juntas.
Não vamos mais deturpar aquela linda frase: "Em seus passos, o que faria Jesus?" diante de fatos amorais e imorais como os que temos vivenciado na igreja brasileira. Eu te pergunto: você realmente acredita que Jesus manteria um quadro de mentira, amoralidade e ignorância dos que Ele ama para haver uma suposta paz e um resultado melhor na evangelização? Foi isso que Ele fez com o sistema religioso doentio e farisaico vigente na época? 
Não vamos mais usar o jargão "isso não edifica em nada!" para alertar e falar abertamente sobre fatos amorais. Pois fatos amorais são, em si mesmos, sempre não edificantes, e alertar e se posicionar contra algo não edificante sempre edifica a quem tem ouvidos pra ouvir e olhos para ver. Se o pastor usa o púlpito para criticar e mandar recado para outro pastor, inclusive citando nomes, é edificante e permitido. Se você fala, escreve, alerta e conversa abertamente sobre fatos amorais ocorridos na igreja, citando ou não nomes, é fofoca e abominável. Mais coerência, por favor!
Essa forma bipartida e esquizofrênica gospel de pensar nada mais é que uma triste e dissimulada forma de CENSURA, que só contribui  para fortalecer o senso comum de que evangélico - as palavras não são minhas! - é uma cambada de alienado e burro que dá dinheiro pro pastor, sem fazer qualquer juízo crítico e de valor. Essa esquizofrenia é que seria capaz, isto sim, de atrapalhar a evangelização - se é que há de fato algo com esse poder.
Que, como cristãos, possamos aprender a ouvir críticas, debater ideias, enfrentar fatos e combater a injustiça onde quer que ela esteja - seja dentro ou fora da igreja. Do contrário, a suposta paz que haverá em nosso meio será, no máximo, paz de cemitério. Estaremos todos mortos, celebrando a vida, mas brindando a morte.


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:: Sobre buscar a Deus (um conto) ::

Um homem muito religioso e de muita fé desejava, com todo seu ser, se encontrar com Deus. Ele ia a todos os cultos da igreja. Era bastante envolvido nas atividades eclesiásticas. Ofertava assiduamente. E, sempre que podia, dizia a quem pudesse ouvir que ele sentia no coração um chamado de Deus para ser missionário na África. Mas ainda não era chegada a sua hora. No tempo certo, segundo ele, Deus iria fazer uma reviravolta, mudar todas as coisas e cumprir a promessa do chamado em sua vida.

Todos os dias pela manhã, aquele homem acordava cedo para buscar a Deus. Franzindo seu semblante, fechava fortemente seus olhos e orava com fervor. Seu sincero e caloroso clamor era um só: 

"Deus, eu quero te ver.
Eu quero te tocar.
Eu quero te abraçar.
Eu te busco, eu te procuro.
Eu tenho sede de ti.
Eu tenho fome de ti.
Quero me aquecer em seus braços de amor.
Eu quero te servir.
Onde tu estás?
Revela-te a mim!
Cumpre o seu chamado em mim"

Após terminar a oração, como de costume, aquele homem saía apressadamente para o seu trabalho. O trajeto era sempre o mesmo. Era sempre apenas mais um dia. Um dia comum. Esse dia comum aconteceu hoje. Aconteceu ontem.

Ontem. Segunda-feira, início de semana. Terminado o período de oração, colocando o seu paletó, aquele homem já entrou no elevador de cabeça baixa, só para não ter que dar bom dia e escutar as reclamações do seu vizinho, conhecido entre os moradores por ser o chato e o problemático do prédio. Ao sair do elevador, no hall do prédio, encontrando-se com um velhinho que julgava mentalmente desabilitado, logo se esquivou para não perder seu precioso tempo dando atenção a um desequilibrado. A caminho do trabalho, vendo um pobre que vivia passando fome na rua, até sentiu compaixão em seu interior, mas continuou a comer seu sanduíche e não lhe estendeu a mão. Pensou o homem consigo: "coitado, que Deus tenha misericórdia dessa pessoa e lhe arrume um emprego". Já perto da porta de entrada do seu trabalho, deparando-se com um mendigo seminu que, tremendo de frio, dormia diariamente estirado na calçada, sentiu-se movido em seu coração a agradecer a Deus por ter uma casa, um lugar seguro onde dormir e por ser alvo da provisão divina que nunca faltara em sua vida.

À noite, já em casa, antes de dormir, aquele homem fazia a mesmíssima e calorosa oração. No dia seguinte, religiosamente, o clamor daquele homem se repetia pela manhã, assim como as situações pelas quais ele passava no caminho para o seu trabalho. E assim ocorreu por muitos outros dias, por sucessivos anos, até que aquele homem, já velho, morreu frustrado - sem nunca ter encontrado Deus ou cumprido seu chamado.

Teria Deus deixado de responder a oração daquele homem? Não. Claro que não.
Deus estava no elevador, no hall do prédio, na rua, na calçada. Diariamente.
Deus sempre esteve lá. Mas aquele homem nunca o viu.

Se aquele homem pelo menos tivesse percebido que a África também é aqui.
Se aquele homem pelo menos tivesse entendido o que de fato significa ser chamado por Deus.
Se aquele homem pelo menos tivesse compreendido que, apesar de não serem as obras que salvam, a fé justificadora nunca está só.

Se aquele homem pelo menos tivesse enxergado que Deus estava ansiando por ser consolado no seu vizinho problemático, que chora todo dia internamente sem nunca ouvir uma palavra de esperança.
Que Deus estava esperando ser tocado e abraçado no velhinho desequilibrado e rejeitado, que nunca recebeu um gesto significativo de amor nem mesmo dos seus próprios filhos.
Que Deus estava buscando ser encontrado e saciado na dor de fome que apertava diariamente a barriga do pobre, o qual, de tanto ser ignorado pelo ser humano, preferiria ter vindo ao mundo como um cachorro.
Que Deus estava procurando ser acalentado em meio ao frio sofrido do mendigo seminu, que está à deriva no mar do esquecimento, esperando a morte chegar ou o inverno passar - o que acontecer primeiro.

É triste ver que o mesmo fervor que havia na oração daquele homem não existia em sua vida.
Que o mesmo amor que ele sentia por Deus não reverberava em toda sua beleza e intensidade para o próximo.
Talvez porque aquele homem achasse que com Deus a gente só lida de olhos fechados e na vertical... quando, na verdade, com Deus a gente também se relaciona de olhos abertos e na horizontal. Pois receber, no Evangelho, é dar-se, é doar-se... e para nos darmos e nos doarmos é preciso que estejamos, antes de tudo, de olhos bem abertos.

Pois quem tem sede de Deus simplesmente não consegue deixar o próximo com a garganta seca ou com o coração deserto.
Quem tem fome de Deus não se contenta em deixar o próximo com a barriga vazia ou com o coração solitário.
Quem deseja sentir o calor do amor do Pai não deixa o próximo sozinho passando frio ou com o coração desamparado.
Porque aqueles que realmente buscam ao Deus que se esvaziou para nos preencher sabem que seu chamado é suprir ausências e preencher vazios - quer no corpo, quer na alma -, como Cristo fez.

É triste perceber que aquele homem pode ser eu, que aquele homem pode ser você.
É triste perceber que todos querem amar o próximo, mas ninguém quer ser o próximo a amar.

É verdade: tentar suprir a ausência de todos, além de humanamente impossível, é ingenuidade.
Mas não suprir a ausência de ninguém é humanamente desprezível - uma idolatria à vaidade! 
Senhor, livre-nos de nós mesmos.

Que os nossos dias não passem de forma miserável, como os daquele homem. 
Que aquele homem não seja eu, não seja você.
Que amanhã eu e você possamos ver, tocar, abraçar e servir ao Deus que nós amamos, Jesus Cristo, num dos poucos lugares onde Ele falou que certamente estaria: na carência física e existencial do próximo. Será um dia comum, como todos os outros... mas também o mais especial de todos. Amém.


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"Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."

Mateus 25.34-40

“Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. (...) Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”

1 João 3.16 e 4.20
:: Mais do mesmo ::

Marquei um encontro comigo mesmo - e fui me encontrar,
Para me despedir.
Me despedir de mim
De quem eu sempre fui.

Resolvi mudar
Deixar pra trás uma boa parte de quem eu fui,
de quem eu sou, de quem eu serei.
Me dei adeus em todos os tempos da existência
Para me reencontrar no horizonte do meu ser. 

Mudei conceitos, mudei ideias
Mudei de planos, mudei de rumo
Troquei de roupa, fiz as malas
Esvaziei a alma.
Descalcei os sapatos.
Desabitei meus hábitos.
Me livrei dos meus medos.
Me livrei de mim!

Já não sou mais o mesmo,
Mas ainda sou quem sempre fui.
Fui embora de mim, mas cheguei no mesmo eu - num outro eu!

Eu mudei para continuar o mesmo...
O mesmo homem, com os mesmos sonhos.
Um novo homem, com renovados sonhos - mas com a mesma missão!

Pois em tudo que muda há algo que permanece e algo que se modifica.
Tudo que fica, tudo que muda gera uma nova composição.
Eu permaneço, eu me modifico - eu sou essa nova composição.

Eu sou a velha música esperando para ser composta, o antigo poema em fase de criação
O livro não escrito já publicado, a antiga tela em inédita exposição
Eu ainda sou os mesmos acordes, as mesmas letras, a mesma tinta
O mesmo eu ainda em obras, pronto em eterna fase de construção.

Pois cantar um novo cântico não se resume a cantar uma nova canção.
Mas a cantar a velha música com um restaurado coração.
A recitar o antigo poema com invisitada inspiração.
A ler o livro não escrito com reverente afeição.
A apreciar a antiquada tela com copiosa comoção.

Não foram as coisas que mudaram - eu mudei!
E, mesmo mudando de lugar, sem mudar,
Tudo continuou no seu devido lugar, mesmo sem continuar.
O que mudou? O meu olhar.

Eu já não sou o que era.
Eu ainda sou o que era.
Pois eu sou o que sempre fui, o que me tornei
E o que serei.
Em meu novo olhar.



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“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. “
Romanos 12.2

“(...) Vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador.”
Colossenses 3.9-10
:: Sobre jargões evangélicos ::

Tem circulado uma frase bastante rasa no face de vários evangélicos, dizendo que quem sai da igreja por causa das pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus.

Inicialmente, não ia nem aprofundar minha opinião sobre essa frase "super profunda", pra não correr o risco de ser tachado de seminarista rebelde! Isto porque reconheço que vivo num meio onde jargões evangélicos carregados de inverdades têm sido cada vez mais vociferados nos púlpitos das igrejas, sem um mínimo de reflexão. E - para piorar - são reproduzidos acrítica e inocentemente por aqueles que, de boa-fé, ouvem a mensagem.  Mas como meu comentário gerou uma sadia repercussão, mudei de ideia. Na minha opinião e da forma como enxergo a mensagem de Cristo, essa frase é apenas mais uma forma de os que se dizem cristãos criticarem e julgarem rapidamente as pessoas que saem da igreja. Esse jargão evangélico é mais uma daquelas frases prontas que contribui mais para segregar e julgar do que para ajuntar e se solidarizar. Sim, considero essa frase bastante rasa - e por diversas razões.

Primeiro, como seres limitados que somos, simplesmente não temos a prerrogativa de dizer que se alguém sai da igreja por causa da atitude de determinada pessoa é porque esse alguém nunca entrou na igreja por causa de Cristo. Muitas pessoas que buscam a Cristo sinceramente, infelizmente, são violentadas física e emocionalmente por pessoas de dentro da própria igreja. Muita gente acaba ficando gravemente machucada e traumatizada para a vida toda. Muitas acabam saindo da igreja sim, por causa de pessoas que estão dentro dela. É um fato - muito triste, por sinal. 

Contudo, esse fato não confere aos que estão do lado de dentro a prerrogativa mesquinha e por demais pequena de dizer que, se tais pessoas saíram da igreja, é porque não conheceram ou não conhecem a Cristo. É uma prerrogativa que só cabe a Deus, que sonda os corações. Até porque algumas pessoas fazem parte da igreja por causa de Cristo, e até gostam das pessoas. Outras fazem parte da igreja por causa das pessoas, e até gostam de Cristo. Algumas pessoas vão à igreja para cultuar e adorar a Cristo, e até admiram as pessoas – ou não. Outras vão à igreja para idolatrar e paparicar as pessoas, e até admiram a Cristo – ou não. Nós, simplesmente, nunca saberemos quem é quem. E é bom que seja assim. Mas não é só isso. 

Segundo, decorrente do primeiro ponto, porque simplesmente tem muita gente que está assiduamente na igreja e dela nunca vai sair, mas que nunca vai ter estado lá genuinamente por causa de Cristo. De acordo com Jesus, no mundo, o joio convive com o trigo e com ele se confunde, mas não cabe a nós dizer quem é quem. E essa frase acaba incidindo nesse erro.

Terceiro - e talvez o mais grave -, porque esse jargão confunde a igreja-instituição com a Igreja de Cristo. Igreja-instituição é a construção de 4 paredes, feita por mãos de homens, presa no tempo e no espaço, sujeita aos caprichos dos homens. Igreja de Cristo é o ajuntamento de todos os filhos de Deus ao redor do mundo, imaterial, invisível, noiva santa e imaculada, eterna, idealizada e construída pelas mãos do próprio Deus, pela qual o próprio Cristo morreu. Já ouvi muito líder evangélico dizer que o compromisso de Jesus é com a igreja-instituição, quando, na verdade, o que Jesus ensina é que as portas do inferno não prevalecerão contra sua Santa Igreja. Contra várias igrejas-instituição, onde a Verdade é sucateada e deturpada, infelizmente as portas do inferno já prevaleceram...há muito tempo.

Tendo isso em mente, podemos dizer que tem muita gente que sai da igreja-instituição, seja pelo motivo que for, sem nunca ter saído da Igreja de Cristo. Tem muita gente que nunca sai da igreja-instituição, seja pelo motivo que for, mas que nunca fará parte da Igreja de Cristo. Ter seu nome inscrito no rol de membros de uma igreja não significa ter seu nome escrito no Livro da Vida. Estar na igreja-instituição não significa estar em Cristo - mas quem está em Cristo e pertence à sua Santa Igreja sabe que deve sempre buscar uma comunidade de fé (igreja-instituição) que seja bíblica e saudável para cultuar a Deus juntamente com seus irmãos. Porém, não podemos confundir os dois conceitos, e, neste ponto, esse jargão erra mais uma vez.

Quarto, porque os alertas de Jesus quanto à perdição se destinaram, quase sempre, àqueles que se julgavam salvos e cumpridores da lei - os fariseus. Ou seja, àqueles que frequentavam regularmente o Templo e as sinagogas, mas nem por isso faziam parte da Igreja de Cristo. Àqueles que se julgavam salvos, por se amoldarem a um conceito pré-estabelecido, mas que no fundo estavam perdidos. Por outro lado, Jesus vai dizer que as pessoas que, muito provavelmente, eram excluídas e não faziam parte desse sistema pré-moldado (os publicanos e as prostitutas) estavam entrando antes do que os fariseus no reino dos céus. Porque enquanto os que estavam do lado de fora, alijados do sistema, criam em Cristo e se arrependiam, os que estavam do lado de dentro se perdiam cada vez mais.

Ou seja, aplicando o alerta de Jesus à realidade dos dias de hoje, creio que nós - os que permanecemos dentro da igreja-instituição e dentro de um conceito pré-concebido- é que temos que sempre fazer uma auto-avaliação interna quanto à nossa real motivação e permanecermos sempre vigilantes para não nos perdermos no meio do caminho. Pois a mensagem de Cristo aos que se julgavam salvos era: "Cuidado! Quem está do lado de dentro pode estar fora, e quem está do lado de fora pode estar dentro".

Não quero dizer com isso que nós, os de dentro, estejamos perdidos, tampouco que os de fora estejam salvos. Quero dizer, simplesmente, que o alerta de Jesus foi para os que estavam do lado de dentro, ou seja, para nós. E esse tipo de frase - vinda e compartilhada de maneira irrefletida e aos quatro ventos pelos que estão do lado de dentro - não contribui em nada para que possamos demonstrar o amor de Cristo na prática, tanto pelos que saíram entristecidos da igreja-instituição, quanto pelos que continuam orgulhosamente dentro dela - seja por qual motivo for.

Enfim, que eu e você possamos refletir mais da próxima vez que formos disseminar ou compartilhar um jargão clichê gospel que adultera a Verdade, pois jargões desse tipo podem ter sido facilmente compostos pelo próprio diabo em cartas escritas aos seus aprendizes.


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