:: Vento ::

“O vento sopra onde quer, você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim ocorre com todos os nascidos do Espírito.”
João 3.8
"Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas."
Eclesiastes 11:5
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Misterioso vem o vento e, sem pedir licença, muda tudo de lugar.
Vento, sem muda o misterioso. pedir e licença tudo de lugar vem,

- Confusão. Dúvida. Vazio. Insegurança.

Imprevisível, o vento vem
Desarruma minhas frases feitas, balança os galhos secos, arranca as folhas gastas
E sacode a poeira do que sobrou de mim.

Subversivo, o vento sopra
Bagunçando minha ordem e organizando a minha bagunça.

Impetuoso, o vento chega
Abalando minhas seguranças e se ancorando em minhas angústias.

Pleno, o vento invade
Enchendo-me do que estou vazio e esvaziando-me do que cheio estou.

Livre, o vento atrai
Fazendo cair o que em pé coloquei e levantando-me do chão quando ferido me prostrei.

- Bálsamo. Esperança. Sentido. Paz.

Eu, homem feito, que me via vivendo com medo da morte
Senti o vento do Espírito chegar para mudar minha sorte.
Como brisa, me visitou
Em vendaval, me desorientou
Para sempre.

Graças ao Pai,
Pelo sangue de Cristo, o vento veio
Soprou, suavemente chegou,
Invadiu
Atraiu
E nunca mais saiu.
Deus decidiu morar em mim.

Graças ao Pai,
Com a ressurreição do Filho, o vento veio
Soprou, suavemente chegou,
Invadiu
Me atraiu
Me desfez, me refez... nasci de novo!
E tudo novo se fez.

O vento veio
Soprou, suavemente chegou,
Invadiu
Me atraiu
Me desconcertou
Nada ficou no lugar, nada nunca mais foi o mesmo.
Inclusive eu.

Por Fernando Khoury

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:: Não abandone o amor ::


No início, são só palavras. Cartas e poesias trocadas buscando demonstrar a intensidade do amor que se sente. Telefonemas ao longo do dia com o único objetivo de matar um pouco da saudade que nunca acaba. 
Tempos em que ouvir a voz do outro traz refrigério, realização, paz.

No início, são só gestos. Andar de mãos dadas, não importa onde. Abraçar e trocar pequenos beijos, não importa a hora do dia.
Tempos em que sentir o toque do outro traz calafrio, completude, felicidade.

No início, são só surpresas. As flores recebidas de forma inesperada na sala de aula. Um presente dado sem haver comemoração de qualquer aniversário.
Tempos em que se busca surpreender o outro através de pequenos detalhes.

No início, são só descobertas. Conhecer as qualidades, as manias, os segredos do outro. Rir dos defeitos e das frases bobas. Saber do que o outro gosta.
Tempos em que cada dia um novo horizonte se abre com cores nunca antes vistas.

Momentos em que todo o tempo do mundo é muito pouco para demonstrar o que se sente.
Momentos em que cinco horas acabam em apenas cinco minutos.
Momentos em que a vida começa a fazer mais sentido.

No início, todas essas pequenas coisas nascem do amor. É como se o amor fosse a semente de uma grande árvore, que só é capaz de crescer e gerar frutos se alimentada por esses nutrientes. O problema é que, com o passar do tempo, a gente se acostuma a amar. E a gente se engana ao achar que aquela árvore que já está crescida e frondosa não precisa mais dos nutrientes de outrora. E, com o passar do tempo, os frutos ficam menos verdes, as folhas perdem o brilho e a vida, sua beleza.

A gente se acostuma a não sentir mais aquela saudade que aperta o peito, a não escrever mais cartas e poesias apaixonadas, a não ligar para o outro várias vezes ao dia. A gente se acostuma a não andar mais de mãos dadas, a não trocar pequenos gestos de carinho. Aos poucos, a gente vai se tornando imune à saudade, insensível ao toque.

A gente se acostuma a não mandar mais flores, a não dar mais presentes fora de hora. A gente se acostuma com as características do outro, a não rir dos seus defeitos e de suas frases bobas... a gente se acostuma com outro. E, pouco a pouco, a gente se torna desinteressado pelos detalhes, cego para os novos horizontes e suas múltiplas cores.

A verdade é que as palavras, os gestos, as surpresas e as descobertas nunca acabam. A gente é que para de procurar por eles. A gente é que para de lançar esses nutrientes à terra para que a árvore do amor continue crescendo de forma plena e viçosa.

O verdadeiro amor deve conciliar a simplicidade e a novidade do amor juvenil com a profundidade e a experiência do amor maduro. O amor juvenil não se cansa de se apaixonar e de conhecer o novo. O amor maduro, por sua vez, não se alimenta de novidades: aprende a desaprender para aprender novamente, a descobrir o que já se conhece e a enxergar de um jeito novo paisagens antes já vistas, mas sempre admiradas. Por isso, lute e relute, mas não abandone... Não abandone as palavras. Não abandone os gestos. Não abandone as surpresas. Não abandone as descobertas. Enfim, não abandone o amor.

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P.S.: Esse texto se refere também ao seu relacionamento com Deus. Então, se o seu amor por Ele esfriou, cuidado: você provavelmente parou de fazer uso dos nutrientes na sua vida espiritual. Use as palavras( Oséias 14.2, I Coríntios 13.1) e os gestos ( Mateus 25.35, I João 3.18). Fique atento às surpresas ( I Coríntios 2.9, Lucas 21.34) e às descobertas ( Salmos 34.8, Isaías 26.8 e 9).

Por Fernando Khoury 

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:: O alguém distante ::

Quem nunca notou o afastamento de alguém? De uma pessoa que antes era próxima, se fazia presente, ativa, participante e, por isso mesmo, era sempre lembrada? Se não todos, a maioria sempre nota. Mas essa mesma maioria que sempre nota facilmente se acostuma com a ausência em si como se fosse algo normal. Não deveria.

O curioso é ouvir as explicações que brotam – geralmente por terem sido propositalmente enxertadas por um maquiavélico agricultor – no inconsciente coletivo: “fulano está mais distante por causa do trabalho”, “é porque ele casou”, “ah, ele está com muitos afazeres”, “está estudando pra concurso...”, "está numa fase de mudanças e questionamentos pessoais".

Não que essas explicações não tenham conexão com a realidade dos fatos. Não que essas justificativas sejam sempre falaciosas. De fato, muitas vezes, a pessoa que se afastou está realmente trabalhando muito, ou dando especial atenção ao novo cônjuge, ou cheio de problemas para resolver, ou estudando horrores para ser aprovado num concurso, ou, então, quem sabe, revendo alguns valores e direcionamentos que quer aplicar à sua vida.

Contudo, aceitar tais fatos como reais justificativas para o afastamento de alguém beira ao comodismo inocente e irresponsável de aceitar que nos digam que “fulano se afastou porque está vivendo”. E ninguém se afasta por estar vivendo! As pessoas se afastam, isto sim, por tudo e todos que agridem e machucam sua vida: decepções, frustrações, mentiras, dor... lágrimas muitas vezes silenciosas, ocultas, internas, totalmente imperceptíveis para aqueles que se contentam com explicações do tipo “fulano se afastou porque está vivendo”.

Lembre-se: ninguém se afasta por estar vivendo. Pessoas se afastam por estarem sofrendo. Da próxima vez que alguém, antes próximo, se tornar ausente, você tem o dever de perguntar a si mesmo: “O que está por detrás dessa ausência?” “O que esse alguém está sofrendo?” E, depois, faça-se presente para aquele que se ausentou. Faça-se próximo daquele que se afastou. Seja ouvidos para aquele que não tem o que falar. Seja abraços para aquele que, encolhido em sua dor, não vê motivos para abraçar. Chore junto com ele. Ajude a enxugar suas lágrimas com a toalha da oração.

Ter misericórdia é ter compaixão pela necessidade do próximo. É se afeiçoar à sua dor, tristeza e sofrimento. Não se torne apático e insensível às lágrimas ocultas do afastamento de alguém – até porque amanhã o “alguém distante” pode ser você. Isso sim é viver genuinamente o amor de Cristo.

Por Fernando Khoury

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